Pentacórdio para Segunda 14 de Janeiro

por Rui Oliveira

 

 

 

 

   Até porque a Segunda-feira 14 de Janeiro surge pobre em acontecimentos culturais de relevo, comecemos por colmatar lapsos na programação do fim-de-semana que hoje (Sábado 12) se inicia e a que não fizémos referência (do que pedimos desculpa) por défice de informação.

 

fuga sem fim 0   Assim no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, decorre a 11 (Sexta-feira) e a 12 de Janeiro (Sábado) o espectáculo de dança “Fuga Sem Fim” de Victor Hugo Pontes para a Companhia Instável  (a partir de uma ideia de João Paulo Serafim).

   A direcção é de Victor Hugo Pontes Realização e edição vídeo de João Paulo Serafim, a música original de Rui Lima e Sérgio Martins e a interpretação de Bruno Senune, Liliana Garcia, Marco Ferreira, Pedro Rosa e Valter Fernandes.

   Saiba-se que, desde 2007 e da criação do espectáculo Ensaio, Victor Hugo Pontes e João Paulo Serafim projectaram continuar a trabalhar e, para tal, elegeram um tema transversal às áreas de trabalho de cada um: a ideia de “fuga”. O movimento (e a dança) trabalha sobre a alternância de momentos de encontro e de fuga. As imagens (e a fotografia) trabalham sobre o tópico do ponto de fuga.

fuga sem fim 1   O mote para a criação de “Fuga Sem Fim” foi a perseguição que acontece no filme “Blackmail”, de Alfred Hitchcock. Contudo, o facto de o ponto de partida ter sido uma criação cinematográfica não significa que “Fuga Sem Fim” seja um trabalho sobre cinema: aquilo que aqui importa é a ideia de fuga, por um lado, enquanto acção/movimento em si, enquanto percurso coreográfico; por outro lado, a ideia de fuga enquanto procura das origens do trabalho criativo, com vista a um entendimento mais nítido das razões pelas quais o espectáculo assume esta forma … “Fuga Sem Fim” centra-se na reflexão sobre o acto criativo, quer enquanto “artefacto”, “construção deliberada” e “ficção”, “simulacro de realidade”, quer enquanto procura de uma saída, de várias respostas, da ideia de fuga como exemplo de afirmação – do seu contrário.

   É este o vídeo da sua estreia em Novembro último em “Guimarães / Capital Europeia da Cultura” :

 

 

 

 

Étienne LamaisonEduardo Miranda   Também no Sábado 12 de Janeiro, às 18h no Espaço CCB/Fábrica das Artes (no Centro Cultural de Belém), há um mini-concerto “Música para Ti” onde se ouvirão Étienne Lamaison (clarinete sib, clarinete baixo e saxofone soprano) (à dir.) e Eduardo Miranda (bandolim, violão, cavaquinho e pandeiro) (à esq.) numa fórmula informal dirigida a famílias.

   Aqui, os músicos são convidados músicos a tocar durante 20 minutos e, no final, a responder às perguntas do público curioso. Aqui, a música é um “momento” intimista, que aposta na proximidade com a performance.

   Seguem-se, noutros meses, Filipe Raposo (piano) a 23 de Fevereiro e Pedro Carneiro (marimba) a 2 de Março.

 

 

Afixação Proibida 0   Ainda no Domingo 13 de Janeiro (e nas Quintas e Domingos subsequentes até 27 de Janeiro), às 19h45 no Teatro Estúdio Mário Viegas (Largo do Picadeiro ao Chiado, Lisboa), representa-se “Afixação Proibida”, uma viagem ao mundo do movimento surrealista português recorrendo a uma colecção dos seus textos, criado, encenado e com espaço cénico de Frederico Corado. Em destaque estarão nomes como Mário Cesariny, Eurico Gonçalves, Artur do Cruzeiro Seixas, Carlos Eurico da Costa, António Dacosta, Mário Henrique Leiria, Fernando Lemos, Pedro Oom, Marcelino Vespeira, Alexandre O’Neil e António Maria Lisboa, entre outros. O cenário é o de um café, local surrealista por eleição.

Afixação Proibida   “ Havia as horas do café. Normalmente tardias. Ou talvez não. As conversas do café. O ar saturado do café. Era Lisboa e a esperança pairava como um pássaro muito cansado. As cadeiras do café. Os tampos de mármore rachado. O cheiro do café. O cheiro do café, não. O cheiro era da serradura molhada, no chão para onde pingavam os chapéus-de-chuva pretos e o tédio da espera. O chão onde se amarrotavam em protesto maços de definitivos porque nada é definitivo. Eles fumavam provisórios.”

   A responsabilidade de dar voz a alguns dos mais inspirados e contestatários criadores que o panorama literário nacional conheceu cabe a Nuno Bernardo, Patrícia Adão Marques, Peter Michael e Susana Sá e ainda à voz de Victor Jorge. O desenho de luz é de Ricardo Campos e a sonoplastia de Ricardo Fernandes.

 

   E ainda no Teatro do Bairro (Rua Luz Soriano, nº 63) se representa na Sexta e no Sábado 12 de Janeiro, às 21h, “Nano T”, uma encenação de Alexandre Lemos com interpretação de Filipe Eusébio, Lucília Raimundo e Nádia Nogueira, numa criação da Marionet Teatro.

nano T   “Qual foi a coisa mais pequena que já viste? Tudo no nosso mundo tem uma medida exacta e muitas escalas que podemos imaginar. Para entendermos o mundo à nanoescala podemos comparar uma bola de futebol com o planeta terra ou um berlinde com a cabeça do Einstein. Todos entendemos que a distância transforma o que vemos. Podemos ver um ponto no céu durante toda a nossa vida, mas só quando nos aproximarmos dele teremos a certeza de ser um planeta. O mesmo ponto num mapa pode ser uma cidade inteira, mas da janela de um avião cada ponto lá em baixo é uma pessoa, uma casa ou um avião. Já um ponto com 100 nanómetros na ponta de um dedo é simplesmente invisível aos nossos olhos. NANO T … podemos dizer que é a nanotecnologia analisada pela imaginação. E se o mais pequeno que podemos ver fôr ainda grande demais para nós ?” − assim é introduzido o espectáculo e este é vídeo de lançamento a quando da sua apresentação no Teatro Acamédico de Gil Vicente em Coimbra em Julho do ano passado :

 

 

 

400px-Arq_Nuno_Portas   Como eventos próprios da Segunda-feira 14 de Janeiro teremos no Grande Auditório da Culturgest, pelas 18h30, com entrada gratuita (mediante levantamento de senha), a continuação do Ciclo de Conferências sobre O Urbano e a Urbanística ou os tempos das formas” por Nuno Portas com ilustração de Nuno Travasso, agora sobre “Actividades e mobilidades – malhas geradoras. Espaçamentos, traçados”.

   Segundo o prelector : “ Nesta segunda sessão, perseguimos as mobilidades crescentes de pessoas, bens, informação e energia, causa e consequência da explosão tecnológica, fabril, agrícola e comercial que se traduziram em sucessivas redes entre e intra-cidades. A resposta urbanística mais profunda, do século XIX ao XX, reside nas malhas de espaço público que viriam a servir de suportes, funcionais e simbólicos, às diferentes formas da edificação, aos parques… ou seja, da cidade central à extensiva ou às conurbações”.

 

 

 

cleveland-contre-wall-street-de-jean-stephane-bron-video-en-pre-commande-876836660_ML   Por último, nesta Segunda-feira 14 de Janeiro prossegue no Instituto Francês de Portugal (Av. Luís Bívar nº 91, Lisboa) o ciclo de cinema “Grande Crise, Pequenos Remédios”, uma selecção de filmes que pretende dar a conhecer os diferentes aspectos da crise económica, social e cultural em curso. O preço baixo (1 €) é já por si um bom reflexo desta  iniciativa.

eGRjbGFtMTI=_o_cannes-jean-stphane-bron-et-cleveland-vs-wall-street   Nesta Segunda 7 de Janeiro, às 19h, o filme seleccionado é “Cleveland contre Wall Street”, de Jean-Stéphane Bron (França/Suiça, Documentário, 2010) que relata como “… a 11 de Janeiro de 2008, o advogado Josh Cohen e sua equipa são contratados pela cidade de Cleveland que quer processar os 21 bancos responsáveis pela onda de execuções hipotecárias que varreu a cidade. Mas os banqueiros de Wall Street usam todos os meios possíveis para evitar o processo. O julgamento pode nunca vir a acontecer, mas os factos, os participantes e os seus depoimentos são reais. O realizador trouxe para o cinema o caso num julgamento simulado onde cada um (juizes, advogados, testemunhas) desempenha o seu próprio papel e passo a passo, o filme disseca o mecanismo de empréstimos do subprime, um sistema que fez a economia global vacilar…”.

   Vejam o filme-anúncio aqui :

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sábado aqui)

 

 

 

 

 

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