EDITORIAL: A FRENTE ANTIPOPULAR

Diário de Bordo - II

 

No editorial do  Monde Diplomatique de Janeiro, Serge Halimi, refere a Frente Antipopular que hoje em dia controla o nosso planeta. E recorda os seus antecessores. Já a Santa Aliança, formada a partir do Congresso de Viena, de 1815, agrupava França, Rússia, o Reino Unido, o Império Austríaco e a Prússia, portanto os aliados que tinham derrotado Napoleão com a França monárquica, supostamente para garantir a paz. Na realidade queriam eram unir forças para melhor esmagar as revoluções, que ameaçavam por todo o lado, com o despertar dos povos com as ideias saídas da Revolução Francesa de 1789.  As intervenções estrangeiras em Portugal foram feitas ao abrigo (chamemos-lhe assim) por essa Santa Aliança e da Quádrupla Aliança dela derivada, veja-se o apoio à Belenzada ou o esmagamento da Patuleia.

Serge Halimi assinala que os países emergentes, incluindo os monarcas do Golfo, os oligarcas chineses, russos, indianos aspiram a um entendimento semelhante. E refere a opinião de Perry Anderson de que a ordem mundial, hoje em dia, é dirigida por uma nova pentarquia, os EUA, a União Europeia, a China, a Índia e a Rússia. Não faz referência à América do Sul, o que talvez não seja por acaso.

Entretanto, devemos ir além e tentar aprender com as lições da história, da história recente. A maior parte das antigas colónias conseguiu a independência. Alguns deles conseguiram, pelo menos durante algum tempo, ter regimes progressistas. Mas hoje em dia há uma tendência para, tanto países feudais como as monarquias do golfo como a república popular da China ou a chamada maior democracia do Mundo, a Índia, adoptarem modelos de crescimento económico assentes no capitalismo  puro e simples. Baseado na exploração das classes trabalhadoras e na pauperização do povo. E numa financeirização  da economia e da vida em geral, sem peias nem travão. Exemplos claros temos à nossa frente, com as privatizações (???) de Passos/Portas/Gaspar, agora apimentadas (a expressão não é inadequada) com a entrada em cena dos capitais angolanos. É que a independência política é importante, mas mais importante ainda é a luta pela emancipação das classes trabalhadoras, e das classes desfavorecidas em geral. Por esta ter ficado para trás, para muita gente as independências das ex-colónias pouco contaram, e nos países mais ricos do mundo encontram-se diferenças sociais abismais.

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