Selecção, tradução e introdução de Júlio Marques Mota
A França a ser atacada por Bruxelas
À política da mentira triunfante, e bem hilariante se de drama não se tratasse, produzida sistematicamente por Bruxelas, uma espécie de central ao serviço do grande capital, eis que agora um outro instrumento altamente perigoso passou a ser por Bruxelas utilizado: a chantagem pura e simples. Dito de uma outra forma, outras balas não menos assassinas são atiradas pelos Comissários dos Mercados como outrora noutras latitudes outro tipo de balas igualmente mortíferas foram pelos Comissários do Povo atiradas. Bruxelas é pobre em imaginação e Comissários por Comissários de uma Comissão venha o Diabo e escolha que, pela minha parte, não quero nenhum deles. Bruxelas renova agora e bem publicamente com a política da chantagem contra os povos soberanos, como nos ilustra o texto abaixo, publicado não por um qualquer jornal esquerdista, não, publicado sim, mas pelo Le Figaro! Ninguém pode escapar ao rolo compressor de Bruxelas e das suas políticas assassinas. Um outro exemplo, o da França, o do “pobre” Hollande, para utilizar a expressão de Michel Rocard, ameaçado agora politicamente e com que despudor, por um Comissário, se da Comissão ou se do Povo, já não sei bem pois as duas figuras parece que se confundem. Um sinal dos tempos.
Olli Rehn lançou sexta-feira um apelo urgente para a introdução de fortes reformas económicas e sociais em França.
Jean-Jacques Mevel – Correspondente em Bruxelas
Le Figaro ~Économie
Mis à jour le 11/01/2013 à 12:46 | publié le 11/01/2013 à 11:57
Nada de descanso para o governo de de Ayrault. Olli Rehn, o “senhor Euro” da Comissão Europeia lançou na sexta-feira a um apelo urgente para a aplicação de fortes reformas económicas e sociais em França, assinalando de passagem as preocupações de toda a Europa sobre a degradação da sua competitividade.
É essencial que a França avance no caminho das reformas e que tome medidas adicionais para a competitividade das suas empresas,” disse o Comissário Europeu para os assuntos económicos e monetários. Nós esperamos uma acção decisiva sobre o mercado de trabalho (…). Estamos todos preocupados com a degradação da base industrial na Europa e na França em particular.”
Esforços Orçamentais
O apelo, no momento em que Paris se encontra numa difícil negociação com os sindicatos e entidades patronais, corresponde a uma grave advertência contra as hesitações e a complacência da classe política. De uma forma quase que perfeitamente transparente o Comissário Rehn traça um paralelo com a Itália de Outono de 2011, quando Silvio Berlusconi voltou atrás com a palavra dada aos seus parceiros europeus. ” A confiança considerou-se então como que rompida e a taxa de juros sobre a dívida pública disparou “disse ele. Significado : a trégua sobre a taxa de juro de que beneficia hoje o Tesouro francês poderia ser apenas temporária, se o governo não aproveita para agir .
Bruxelas também pretende fazer desaparecer todo e qualquer mal-entendido sobre a pausa possível de que a França poderia beneficiar quanto aos seus objectivos orçamentais (défice reduzido para 3% em 2013), no cenário em que ela não alcance o crescimento previsto pelo governo (0,8%). Citando os precedentes da Grécia, Portugal e da Irlanda, Olli Rehn salientou que essa flexibilidade só se aplica “se o país em questão respeitou os compromissos de reforma, os quais terá subscrito”. O ano de 2013, não marcará também o fim do esforço orçamental: “Estamos também interessados na sustentabilidade das finanças públicas a médio prazo”, disse o Comissário no European Policy Center em Bruxelas. Claramente, sobretudo não há nenhuma cedência, claramente não se pode baixar os braços na política seguida …
A sequência em : http://www.lefigaro.fr/conjoncture/2013/01/11/20002-20130111ARTFIG00431-marche-du-travail-bruxelles-somme-la-france-d-agir.php

