Pentacórdio para Quinta 17 de Janeiro

por Rui Oliveira

 

 

 

 

   Um dos eventos de destaque da Quinta-feira 17 de Janeiro será sem dúvida a nova produção da ópera em nove cenas “Emilie” que a Fundação Calouste Gulbenkian apresentará no seu Grande Auditório às 21h, repetindo-se a récita na Sexta 18, às 19h.

1 july-preview-1 - Copy   A Orquestra Gulbenkian será dirigida pelo maestro Ernest Martinez-Izquierdo e terá a colaboração da Escola Superior de Dança, sendo Vasco Araújo e André E.Teodósio responsáveis pela co-criação artística e cénica.

2 hannigan_kumpf_300p   Coencomenda da Fundação, do Barbican Centre (Londres) e da Ópera de Lyon, “Emilie” foi criada pelo escritor libanês Amin Maalouf e a compositora finlandesa Kaija Saariaho (foto esq.) que se foram inspirar para este monólogo na figura de Emilie du Châtelet (1706-49), uma das primeiras mulheres a dar um contributo científico decisivo ao traduzir para francês os Principia Mathematica de Newton. Quem a interpretará não será Karita Mattila, a quem foi entregue o papel da estreia em Lyon (2010), mas sim a cantora canadiana Barbara Hannigan (foto dir.) que o público da Gulbenkian conhece como maestrina e solista numa obra de Ligeti (Misteries of the Macabre).

    Neste papel, Emilie du Châtelet está à beira de embarcar na última das viagens. Pressentindo a morte, faz contas à vida, lembra os amores, os medos, os arrependimentos e as culpas, ao mesmo tempo que passa para livro a forma como gostaria de ser recordada.

   É o que faz ouvir este vídeo da interpretação de Karita Mattila na Ópera de Lyon sob a direcção de Kazushi Ono :

 

 

 

 

3 condomínio 34 condomínio 1   Na Sala Garrett do Teatro Nacional Dª Maria II, às 21h desta Quinta-feira 17 de Janeiro, inicia a sua carreira cénica a peça “Condomínio da Rua”, um texto inédito que “aborda os caminhos do submundo do ser humano, os seus segredos e dilemas e traz a debate a questão da exclusão social, dos dramas pessoais daqueles que vivem na miséria, as suas implicações patológicas, familiares, culturais e sociais”.

5 condomínio 2   Num movimento de introspeção, seis actores do elenco do TNDM II colocarão em palco “a questão da falta do afecto e as suas consequências, permitindo-nos aperceber da complexidade da pobreza e da exclusão”.

   O texto é de Nuno Costa Santos, a encenação de João Mota, com João Grosso, José Neves, Lúcia Maria, Manuel Coelho, Maria Amélia Matta e Paula Mora nos papéis centrais.

   Há cenografia de F. Ribeiro, desenho de luz de José Carlos Nascimento e ainda consultoria e análise comportamental de Daniel Sampaio.

   Prolongar-se-á em cena até 10 de Fevereiro de 2013.

 

 

 

6 chão de água7 chão de água   Também na Quinta-feira 17 de Janeiro, estreia na Sala Principal do São Luiz Teatro Municipal, às 21h, a produção do Teatro da Terra intitulada “Chão de Água”, um texto de João Monge a partir de «As Troianas» de Eurípides, com encenação de Maria João Luís (foto), figurinos de Rafaela Mapril.

   Interpretam-na Catarina Guerreiro, Heitor Lourenço, Helena Montez, Maria João Luís, Patrícia André, Pedro Mendes, Susana Blazer e Rui Gorda, com o acompanhamento do Coral Polifónico de Ponte de Sôr (dirigido pelo maestro Rui Martins Picado). O Canto em voz-off é da responsabilidade de Paulo Ribeiro.

8 chao Agua   Permanecerá em palco até Domingo 20 de Janeiro (às 17h30).

   Sinopse : O clássico da tragédia grega «As Troianas» de Eurípides serve de matriz ao paralelismo criado entre o desenraizamento provocado pela deslocalização compulsiva das populações dos seus territórios e a solidão revoltada das mulheres troianas quando a guerra lhes rouba os seus homens. Em «Chão de Água», a tragédia do povo de Tróia é, por João Monge, entrelaçada com as vivências do povo alentejano no afogamento de territórios ancestrais. Esta é uma grande parábola sobre a vida e a morte, “uma epopeia dedicada ao povo alentejano, mesclada com referências da vida contemporânea e com o intuito de potenciar uma visão crítica abrangente”.

 

 

 

10 Guine_PAIGC_Amilcar_Cabral_Livro_Leitura22   Nesta Quinta- feira 17 de Janeiro, às 18h, a Galeria ZDB e o clube de música africana B.leza juntam-se em homenagem a Amílcar Cabral, na comemoração do 40º aniversário da sua morte.

11 luta_2-boa   O programa compreende iniciativas que se sucedem nas duas agremiações.

   Assim, no Aquário da ZDB, das 18h às 20h30, é apresentado “Luta ca caba inda” com o seu visionamento e conversa com  a artista Filipa César e o realizador Sana na N’Hada que apresentam, pela primeira vez em Lisboa, excertos de filmes raros e de brutos arquivados no Instituto Nacional do Cinema e do Audiovisual da Guiné-Bissau (INCA), os quais  serão projectados ao longo da tarde, a par de comentários, discussão e esclarecimentos.

9 luta_image1boa   Constam : “Estudantes guineenses desempenhando trabalho voluntário em Cuba”, “Amílcar Cabral durante a Semana de Informação, Setembro 1972, Conacri”, “O 2° Congresso do P.A.I.G.C. 18 – 22 Julho 1973, Boé”, “Proclamação do Estado, 24 Setembro 1973, Boé”, “Embaixadores estrangeiros reconhecendo a nova nação, cerimónias nos bosques, 1973, Balana”, “Nacionalização do banco, Introdução da Nova Moeda, 20 de Fevereiro 1975, Bissau”, “20º Aniversário do P.A.I.G.C., Miriam Makeba com José Carlos Schwarz, 1976, Bissau” e “O Regresso de Amílcar Cabral”.

   Após um Jantar guineense no Aquário ZDB, das 20h30 às 22h, segue-se no clube B.leza, a  partir das 23h, um Concerto comemorativo do 40º Aniversário da morte de Amílcar Cabral  com os artistas guineenses Malam di Mama Djombo,  Maio Coopé, Baba Canuté e Gentil Policarpo.

 

 

 

12 cartaz_paulinho   Estreia nesta Quinta-feira 17 de Janeiro, na sede da Companhia  A Barraca, no Teatro do Cinearte, às 21h30, em acolhimento do Vicen Teatro, a peça de Helder Costa “As Aventuras do Menino Paulinho”, encenada por João Carneiro e interpretada por  Helena Macedo, Paula Cunha Rosa e Osvaldo Canhita.

13k   Trata-se dum texto de Hélder Costa, escrito em 2003, onde o autor de forma mordaz, critica a ascensão dos elementos da nossa sociedade, que utilizando a corrupção, influências duvidosas e total ausência de escrúpulos, alimentam o proxenetismo social, político e religioso.

   Sinopse : “D. Paulinho de Silveira e Montezinho, filho de uma família aristocrática completamente falida, com educação religiosa (até ajudou à missa), obrigado a frequentar lições de “saber estar em sociedade”, “brincou” com as criadas, utilizou o famoso “lápis azul” e cantou a “Grândola”. Mais tarde, recuperou os contactos com marquesas e baronesas, o seu anel de brasão, começou a organizar festas onde até havia meninas de espírito livre, ajudou a fundar um partido e veio a tornar-se um pensador.

   Hoje, bem instalado na vida, sem nenhum processo em tribunal que o possa levar à cadeia, vive num bairro fino. Acabou de receber vários convites, só lhe falta escolher qual : para Secretário Geral da ONU, Presidente dos Mormons, Presidente do Banco Mundial, Chefe dos Seguros Japoneses ou Papa ? Não. Ele, quer ser o Rei do Mundo”.

 

 

 

   Quanto à música dita não-erudita, há relativamente poucas oportunidades de a ouvir sugerindo-se que o leitor ou se desloque ao Hot Clube onde o concerto das 23h, com entrada gratuita para sócios e que se repete na Sexta 19 e no Sábado 20, reune no palco Carlos Martins (saxofone), Mário Delgado (guitarra), Carlos Barretto (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria).

   Ou vá ao Onda Jazz que inaugura, às 22h30, “Tempo”, um projecto musical que se debruça sobre a musica francófona através  de alguns dos seus cantautores mais representativos. (Ferré, Brel, Barbara, Vian, Trenet, Gainsbourg …) … “na procura de uma identidade artistica e sonoridade própria onde a palavra e o poema são força motora para o canto”.

 

 

14 d.luis da cunha   Por fim, tem lugar nesta Quinta-feira 17 de Janeiro, promovida pelo Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, através da sua linha de investigação História Militar e das Relações Internacionais, no Auditório da Biblioteca Nacional (Campo Grande, nº 83) a partir das 9h30, a jornada “D. Luís da Cunha e as negociações de Utreque”, com entrada livre.

15 utrecht_pba-450_0007   No âmbito do 300º aniversário do início das negociações dos Tratados de Paz de Utreque e do 350º aniversário do nascimento de D. Luís da Cunha, este encontro realiza-se no dia da inauguração da exposição sobre a sua obra “D. Luís da Cunha. O Oráculo da Política” (às 18h), destacando também o significado daquelas importantes negociações diplomáticas.

   O Congresso de Utreque junta-se ao de Vestefália (1644-48) e ao de Viena (1814-15) como marco fundamental no desenvolvimento da diplomacia e na construção do sistema internacional moderno, com fortes consequências para Portugal e, sobretudo, para os seus domínios sul-americanos.

   O programa compreende  “Diplomacia e representações”, “Os debates na corte de Lisboa vistos pelo Enviado da Prússia”, “Episódios da Guerra de Sucessão no Atlântico Sul: os ataques de Duclerc e Duguay-Trouin ao Rio de Janeiro”, “A guerra da sucessão de Espanha e a diplomacia em Utreque”, “O novo quadro europeu”, “Geopolítica e migrações no contexto de Utreque”, “D. Luís da Cunha. O «oráculo» da política” e “A guerra da Sucessão de Espanha e a Paz de Utreque: fontes e metodologias”.

 

 

16 CASA SENHORIAL -  GRANDE BRAGA   Bem como no Palácio Fronteira, a partir das 10h e com entrada livre (limitada à lotação da Sala das Batalhas), se discute na mesma Quinta-feira 17 de Janeiro o tema “ A Casa Senhorial, entre Lisboa e o Rio de Janeiro”(Anatomia dos Interiores) , organizado pelo Instituto de História da Arte da FCSH (Un. Nova) .

   Do programa já divulgado constam comunicações p.ex. sobre “Espaços da escrita nos interiores das casas nobres de Portugal”, “Casa do Engenho do Rio de Janeiro do século XVIII”, “Iconografias dos revestimentos de azulejos da casa senhorial”, “O Recheio perdido do Palácio de Pombal, em Oeiras”, “Para memória futura. Interiores autênticos em Portugal” , “O Programa decorativo do Palácio de Nova Friburgo”, “O barão António Clemente Pinto e o seu legado patrimonial”.  

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui)

 

 

 

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