EDITORIAL – DAS INDEPENDÊNCIAS À REVOLTA DA MARINHA GRANDE

Imagem2Perante os graves problemas que nosso o país atravessa, sabemos que a preocupação que todos os dias manifestamos com o que se passa para lá das nossas fronteiras, é mal vista e censurada por algumas pessoas, pois entendem que devíamos concentrar esforços a denunciar o que se está a passar aqui – a destruição do Estado Social, a implantação da lei dos mais hábeis, a transformação de seres humanos em lixo social. O que estes criminosos estão a fazer em termos de supressão de direitos, redução de pensões de reforma, despedimentos, redundará em muitas mortes – será um genocídio silencioso – nos lares de terceira idade, em suas casas, velhos irão morrendo por falta de alimentação e de medicação. E para os seus assassinos, não haverá um Tribunal de Nuremberga – dir-se-á que morreram de «morte natural». Temos denunciado o bando que tomou de assalto o poder politico, entrando pela porta que as trapaças de José Sócrates deixou aberta.

Mas temos a convicção de que faz todo o sentido defender as independências de nações vizinhas, submetidas a um poder centralizado que, embora formalmente não nos abranja, desenvolve uma força centrípeta que nos é nociva. Além de ser justo que os povos da Catalunha, da Galiza e do País Basco possam juntar as suas bandeiras à das demais nações europeias, uma Península restituída à verdade histórica, ao respeito por culturas que têm vindo a ser espezinhadas, constituiria um espaço politicamente mais higienizado. Para justificar o nosso interesse pelas causas independentistas, não vamos usar o argumento da «aldeia global» – vamos antes lembrar a solidariedade que devemos a trabalhadores de outros países, particularmente aos que navegam, como nós, numa jangada de pedra que, esperemos, não se desprenda da Europa e arribe à Costa Leste dos Estados Unidos. Mal por mal, fiquemos por aqui.

A iniciativa de discutir o Estado espanhol, dedicando a esse debate toda a edição da passada quinta-feira, dia 10, foi um êxito, com os artigos a continuarem a ser comentados – conseguimos desencadear um verdadeiro debate, com opiniões divergentes e, como sempre acontece nos debates, com fugas temáticas para assuntos laterais. Pensamos organizar um dossiê com o material do debate – artigos e comentários – elemento que poderá ser consultado a todo o momento.

Estão previstas outras iniciativas voltadas para o exterior, como, por exemplo, um Dia do Brasil e um Dia de Cabo Verde. Sempre sem esquecer os problemas internos. Na sexta-feira, dia 18 de Janeiro, evocaremos os acontecimentos de 1934 na Marinha Grande. Evocação do passado, com os olhos postos no presente. O 18 de Janeiro, pese embora o seu desfecho dramático, constitui uma lição – para nós e para «eles».

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