Pentacórdio para Sábado 19 de Janeiro

por Rui Oliveira

 

 

1 os músicos do tejo 

   No Sábado 19 de Janeiro é defensável dar-se destaque (“nacionalista”, apesar do título) à (quase) estreia nacional de “Il Trionfo d’Amore”, serenata para seis vozes de Francisco António de Almeida (composta em 1729) que terá lugar no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h (repetindo no Domingo 20, às 16h).

   É um projecto de “Os Músicos do Tejo”, cabendo a Marcos Magalhães (foto) a direcção musical, a Luca Aprea a direcção teatral e a Marta Araújo a direcção de produção.

2 MT MarcosMagalhaes_maestro_e2 - Copy   Sabendo que “Os Músicos do Tejo” são um projecto especializado em música antiga que, em parceria com o CCB, já levou à produção da ópera “La Spinalba” de F. A. de Almeida (com onze apresentações públicas e já disponível em CD), assinale-se que o seu vínculo com este genial compositor prossegue agora com a apresentação da sua serenata “Il Trionfo d’Amore”, obra oferecida a D. João V por ocasião da festa litúrgica de S. João Evangelista, padroeiro do rei.

   No enredo desta serenata, o casamento de Adraste e Nerina, “prometidos pelos deuses”, é contrariado pelos impulsos amorosos, aliás correspondidos, desta por Arsindo. Após várias peripécias dramáticas, em que os jovens têm de enfrentar a ira dos pais, o amor acaba por triunfar. 

   São cantores intervenientes : Arsindo Clint van der Linde, Giano Catia Moreso, Nerina Joana Seara, Termosia Raquel Camarinha, Mirenio Luís Rodrigues e Adraste Fernando Guimarães.

3 fernando guimarães adraste4 Joana Seara Nerina5 van der linde arsindo 

                  Fernando Guimarães  Adraste              Joana Seara  Nerina               Clint van der Linde  Arsindo

   Em fundo a Orquestra :

   Violino Concertino José Navarro ; Violinos Álvaro Pinto, Maria Bonina, Reyes Gallardo, Denys Stetsenko, Miriam Macaia ; Violas Raquel Massadas, Lúcio Studer ; Violoncelo Ana Raquel Pinheiro, Paulo Gaio Lima ; Contrabaixo Marta Vicente, Pedro Wallenstein ; Fagote Carolino Carreira ; Oboés Pedro Castro, Luís Marques ; Flautas Olavo Barros, Marta Gonçalves ; Cravo Marta Araújo e Marcos Magalhães e Trompetes Bruno Fernandes e António Quítalo.

   Relembramos aqui a Sinfonia de Abertura da ópera La Spinalba pelos Músicos do Tejo no CCB em 2009 :

 

   e um dueto entre Joana Seara (Vespina) e João Fernandes (Togno) da mesma ópera :

 

 

 

6 RuiVieiraNery   Acrescente-se que no mesmo Centro Cultural de Belém mas das 17h30 às 19h deste Sábado 19 de Janeiro se inicia, na Sala Luís de Freitas Branco, o Curso Livre “Viagens pelas Histórias do Fado” orientado por Rui Vieira Nery, cuja entrada é livre (mediante inscrição prévia) e onde o inscrito “conhecerá,  da Lisboa oitocentista à actualidade, dos bairros castiços às grandes salas de concerto do mundo inteiro, as histórias e os percursos da canção de Lisboa”.

   Esclarece o orientador : “O Fado é um género performativo que integra música e poesia, desenvolvido em Lisboa no segundo quartel do século XIX, como resultado de um processo de fusão multicultural que envolveu danças afro-brasileiras recém-chegadas à Europa, uma herança de géneros locais de canção e dança, tradições musicais de zonas rurais trazidas por vagas sucessivas de imigração interna e os padrões cosmopolitas da canção urbana do início do século XIX.

7 fado 1 roteiro - Copy   No século XX o Fado converteu-se no mais popular género de canção urbana em Portugal e é reconhecido pela maioria das comunidades portuguesas como um símbolo da identidade cultural nacional, no seu conjunto. A sua disseminação através da emigração portuguesa para a Europa e para as Américas, e mais recentemente através do circuitos da World Music, tem vindo também a reforçar, no plano internacional, a percepção desse seu papel identitário, conduzindo ao mesmo tempo a um processo crescente de trocas interculturais com outros géneros musicais”.

   O Curso prossegue nos 3 Sábados subsequentes : 26/1, 2/2 e 9/2.

 

   Quem queira conhecer os aspectos finais da candidatura do Fado a Património da Humanidade (de que Rui Vieira Nery foi Presidente da respectiva Comissão Científica) veja este vídeo elaborado pela C.M.L. em Novembro de 2011 :

 

 

9 Maria Stuarda_a3   Também no Sábado 19 de Janeiro há mais um “Met Opera Live in HD” no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian com a transmissão em directo da Metropolitan Opera de Nova Iorque, às 18h, da ópera “Maria Stuarda” do compositor italiano Gaetano Donizetti (1797-1848) sob a direcção do maestro Maurizio Benini, numa produção de David McVicar que terá “centrado a sua visão na natureza romântica da peça”.

8 Gaetano_Donizetti   O elenco participante compreende Elza van den Heever como Queen Elizabeth I (Elisabetta), Joyce DiDonato como Mary Stuart (Maria Stuarda), Francesco Meli (ou Matthew Polenzani) como Robert (Roberto) Dudley, Earl of Leicester, Joshua Hopkins como William (Guglielmo) Cecil, Matthew Rose como George (Giorgio) Talbot.

   A sinopse desta ópera que retrata a condenação à morte de Maria Stuart, rainha da Escócia por Isabel I encontra-se em : http://metoperafamily.org/metopera/history/stories/synopsis.aspx?customid=698

   Uma curiosa selecção de trechos de 2006 permite aqui entrever em pouco mais de 10 minutos a linha condutora da ópera, sob a direcção de Riccardo Frizza com Mariella Devia (Maria), Mariana Pentcheva (Elisabeta), Dario Schmunck (Leicester) e Enrico Turco (Talbot) :

 

   Do elenco actual encontrámos o registo dos ensaios desta récita de 2013 com Joyce DiDonato (Mary Stuart), Elza van den Heever (Queen Elizabeth) e Matthew Polenzani (Leicester) na ária final do 1º Acto “Figlia Impura di Bolena” :

 

   Quem queira ouvir a ópera integral de que apenas há gravação da récita no Grand Théâtre de Genève com a “Orchestre de la Suisse Romande” dirigida por Evelino Pido em 2005 e com Joyce DiDonato Elisabeta, Gabriele Fontana Maria, Eric Cutler Leicester, Giovanni Furlanetto Talbot,  Marion Ammann Anna e Marzio Giossi Cecil , clique em : http://youtu.be/7txSNqVwEU8  

 

 

10 Sylvain Chauveau  e Stephan Mathieu

   Na Sala Principal do Teatro Maria Matos, às 22h do Sábado 19 de Janeiro, há “Palimpsest : Bill Callahan songs” , o resultado musical do convite que Sylvain Chauveau recebeu, em 2009, de Stephan Mathieu.

   Sem nenhum plano previamente delineado, Mathieu decide provocar a ignição do projecto gravando pequenos trechos feitos com piano, órgão Farfisa, cítara, percussão, trompa, virginal, entre outros instrumentos e utensílios que o circundavam no local onde vivia e trabalhava. Num ápice, tudo começaria a encaixar nos sítios certos, e o que foi transmitido a Chauveau já indicava claramente um corpo de estruturas bem definidas, de tal forma que este foi incapaz de se propor a prosseguir a construção das esculturas sonoras, oferecendo em troca a sua voz e a lírica inspiradora de algumas canções do repertório Smog de Bill Callahan … “Palimpsest” propõem-se revestir o esqueleto das suas canções com vibrantes camadas de abstracionismo electroacústico.

   Este é um registo desse “Palimpsest” :

 

 

   Em complemento ao concerto mas antes, às 20h30, é apresentado o documentário de Hanly Banks que registou a digressão norte-americana de Bill Callahan em promoção do álbum “Apocalypse” sob o título “Apocalypse: a Bill Callahan tour film” (2012), com entrada livre (sujeita à lotação da sala).

   Mostramos-lhe um excerto :

 

 

 

 

11 sonspelacidade12 sinfonica   O ciclo “Sons pela Cidade” que pretende “… levar a música de tradição clássica a espaços de Lisboa onde a sua presença é pouco frequente ou mesmo inédita”  organiza concertos de entrada livre pela Orquestra Metropolitana de Lisboa (e comentados por Rui Campos Leitão) no Sábado 19 Janeiro, às 17h, no Salão Polivalente do Clube Império do Cruzeiro (na Rua do Cruzeiro nº 166, à Ajuda), bem como o faz na Sexta-feira  18 de Janeiro, às 21h30, no Auditório da Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho (na R. Rodrigo da Fonseca) e o fará no Domingo, 20 de Janeiro, às 17h, no Salão Multiusos da Junta de Freguesia de São João (na Rua Morais Soares, nº 32ª, à Praça Paiva Couceiro).

   O programa é comum aos 3 concertos :

            Carl ReineckeOcteto, Op. 216

            Charles Gounod Pequena Sinfonia

            Jean FrançaixSete Danças

 

 

 

13 júlio cesar   Por último, quem esteve no Sábado anterior no Museu Nacional de Arqueologia, saiba que, às 16h deste Sábado 19 de Janeiro,  se exibe, integrado na Arqueologia no Cinema nº5 (projecção e comentário de fitas clássicas), o segundo filme deste ciclo : “Júlio César” (Reino Unido, 1970) de Stuart Burge comentado por Pedro Marques.

14 júlio césar   “Julius Caesar” (no original) tem no seu elenco John Gielgud (Júlio César), Charlton Heston (Marco António), Jason Robards (Brutus), Diana Rigg (Portia), Richard Chamberlain (Octávio), Robert Vaughn (Servílio), Richard Johnson (Cássio), Christopher Lee (Artemidorus) e Jill Bennett (Calpurnia), entre outros.

   Como sinopse, aborda a ascensão e a queda do primeiro Imperador Romano, vítima de uma traição por parte de alguns senadores romanos, que o assassinam nos idos de Março, como um adivinho tinha vaticinado. A sua morte gera diversas consequências para o Império …

   Não havendo filme-anúncio disponível, eis o trailer do “Júlio César” de Mankiewicz (EUA, 1953), porventura com melhores actores :

 

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quinta aqui)

 

 

 

 

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