As notícias não são boas.
A estupidez não faz intervalos.
Ninguém passeia os cães da casa de baixo.
As alterações climáticas estão em alta.
Os pontos cardeais são bispos da guerra.
Os imbecis não conhecem o xadrez.
E as aves assistem a tudo sem gritar.
Um caracol sobe a parede fugindo da terra.
Homens cinzentos recitam o apocalipse.
Não resta qualquer inteligência sobre isto.
As manadas tentam destruir as cercas.
Há um velho atravessando a carpete da sala.
Lá fora o céu está sujo de palavras mortais.
A televisão repete rodapés senis.
As barbas das notícias aborrecem os sofás.
Todos os dias são cafeteiras ao lume.
Ninguém se importa com as máquinas
que nos empurram.
O verdadeiro deus é artificial.
Milhares de poemas retornam às canetas.
Os livros estão roucos de abandono.
As cidades são hospícios de árvores arrancadas.
As noites chuvosas descem as escadas.
O chá arrefece com o silêncio das catástrofes.
A natureza está fora de moda.
Viva a estupidez das coisas perigosas!

