POESIA AO AMANHECER – 121 – por Manuel Simões

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ESTEVAM FERNANDEZ D’ELVAS

(fins do séc. XIII – princípios do séc. XIV)

A mia senhor fezo Deus por meu mal

tam fremosa, tam de bom sem, atal

que semelha que nunca en al cuydou;

por dar a mim esta coita en que vou,

                  sei eu que a fez El e non por al,

                  se m’ela com tod’este bem non val.

Muy bem na fez falar e entender

sobre quantas donas El fez nacer

que semelha que nunca en al cuydou;

por dar a mim esta coita en que vou,

                sei eu que a fez tam bem parecer

                se m’ela com todo esto non valer.

Esta senhor que mim en poder tem

fez Deus fremosa e de muy bom sem

que semelha que nunca en al cuydou;

por dar a mim esta coita en que vou,

            sey eu que a fez, nom por outra rem,

            se m’ela com todo este bem non vem.

Trovador português, de Elvas, operou na corte de D. Dinis. Esta cantiga de amor segue o estereótipo do elogio da dama, tão bela, de bom-senso, feita por Deus para fazer sofrer o amador.

Glossário: “semelha”: parece; “en al cuydou”: pensou noutra coisa; “non val”: não me socorre; “rem”: coisa.

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