Pois o ministro Relvas veio anunciar que a RTP não vai ser nem privatizada nem concessionada, mas sim reestruturada. Parece que se vão gastar 42 milhões de euros nesta operação, que irá incluir a redução de 600 postos de trabalho. No Diário de Notícias lê-se também que Relvas tem 30 milhões para 500 despedimentos (http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=3013718). De onde será razoável inferir que a reestruturação consistirá sobretudo em despedimentos e extinção de postos de trabalho. E que isso implicará o fim de alguns programas, e a diminuição de meios à disposição de outros. Agravar-se-à com toda a certeza a questão da qualidade, muitas vezes invocada, com razão ou sem ela, para justificar a insistência na privatização ou na concessão da empresa.
É óbvio que será sempre difícil encontrar um comprador para a RTP, a não ser em condições leoninas para ele. Tipo o novo proprietário ficar com a empresa, e ainda lhe garantirem lucros substanciais, como sucede nas auto-estradas. A situação da empresa não é fácil, devido às constantes pressões que tem sofrido, como aliás tudo o que é público em Portugal. E as duas estações privadas já existentes não vêem com bons olhos a entrada em cena de outro concorrente, que os poderia incomodar mais do que a empresa pública.
Um cenário possível, mesmo provável, é a RTP estar a caminho de ser extinta. As desagradáveis condições em que decorre a vida interna da empresa, patentes nos comunicados e denúncias da Comissão de Trabalhadores, tornam indubitavelmente difícil realizar o trabalho diário em boas condições. Os trabalhadores terão de ter grande força para resistirem à pressão, e resistirem à degradação que tornaria este cenário mais fácil.

