JOSÉ MÁRIO BRANCO – RESISTIR E VENCER – NA PRÓXIMA SESSÃO DA NOITE

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José Mário Branco é um cantor e compositor que não necessita de apresentações – um dso depositários da herança musical de José Afonso, de quem foi grande amigo e produtor de alguns dos principais discos, está na primeira linha da música verdadeiramemte popular. “Resistir é Vencer”, um álbum lançado em 2004, foi também o nome dado a um espectáculo que encheu o Coliseu dos Recreios. Desse álbum, aqui deixamos uma das canções, interpretada no Teatro Tivoli em Lisboa para o Programa Vozes Que Abril Abriu (no dia 25 de Abril de 2009) com letra e música de José Mário Branco – DO QUE UM HOMEM É CAPAZ


Do que um homem é capaz
As coisas que ele faz
Para chegar aonde quer
É capaz de dar a vida
Para levar de vencida
Uma razão de viver

A vida é como uma estrada
Que vai sendo traçada
Sem nunca arrepiar caminho
E quem pensa estar parado
Vai no sentido errado
A caminhar sòzinho

Vejo a gente cuja a vida
Vai sendo consumida
Por miragens de poder
Agarrados alguns ossos
No meio dos destroços
Do que nunca vão fazer

Vão poluindo o percurso
Com as sobras do discurso
Que lhes serviu pr’abrir caminho
À custa das nossas utopias
Usurpam regalias
Para consumir sòzinho

Com políticas concretas
Ímpões essas metas
Que nos entram casa dentro
Como a Trilateral
Com a treta liberal
E as virtudes do centro

No lugar da consciência
A lei da concorrência
Pisando tudo pelo caminho
Para castrar a juventude
Mascaram de virtude
O querer vencer sòzinho

Ficam cínicos, brutais
Descendo cada vez mais
Para subir cada vez menos
Quanto mais o mal se expande
Mais acham que ser grande
É lixar os mais pequenos

Quem escolhe ser assim
Quando chegar ao fim
Vai ver que errou o seu caminho
Quando a vida é hipotecada
No fim não sobra nada
E acaba-a sòzinho

Mesmo sendo poderosos
Tão fracos e gulosos
Que precisam do poder
Mesmo havendo tanta gente
Para quem é indiferente
Passar a vida a morrer

Há principios e valores
Há sonhos e há amores
Que sempre irão abrir caminho
E quem viver abraçado
À vida que há ao lado
Não vai morrer sòzinho
E que morrer abraçado
À vida que há ao lado
Não vai viver sòzinho

 

 

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