Pentacórdio para Sábado 2 de Fevereiro

por Rui Oliveira

  

 

   Este Sábado 2 de Fevereiro já faz jus a uma capital cultural de um país medianamente desenvolvido.

il complesso barroco 1 

_DSC0200 - Copy   Assim quem começar a sua digressão cultural pela Fundação Calouste Gulbenkian terá a oportunidade de, no seu Grande Auditório, às 21h, de assistir ao concerto dado por “Il Complesso Barroco”, a formação criada em Amsterdam desde 1979 por Alan Curtis (foto) o qual, como seu consultor artístico e um dos mais aclamados especialistas da música pré-romântica, a fundou para explorar, acima de tudo, a ópera e a oratória do Barroco italiano, tendo-se revelado “uma orquestra de som belíssimo, transparente e delicado” (segundo a generalidade da crítica).

didonato - Copy   Na sua direcção (e também no violino) estará Dmitry Sinkovsky, enquanto toda a participação vocal ficará a cargo da meio-soprano norteamericana Joyce DiDonato (foto), estrela familiar ao público do Met Opera, que aqui faz a sua estreia no palco da Fundação Gulbenkian. É uma colaboradora regular de Alan Curtis com quem gravou os duetos operáticos de Handel em “Amore e Gelosia”, bem como os papéis principais das óperas de Handel “Alcina” e “Ariodante”.

drama_queens   O concerto intitula-se “Drama Queens”, aliás o nome do CD lançado em Novembro último. Consta de :

 

      Antonio Cesti  «Intorno all’idol mio» de Orontea

      Domenico Scarlatti  Sinfonia de Tolomeo ed Alessandro

      Claudio Monteverdi  «Disprezzata regina» de L’Incoronazione di Poppea

      Geminiano Giacomelli  «Sposa, son disprezzata» de Merope

      Antonio Vivaldi  Concerto para Violino e Cordas RV 242 «per Pisendel»

      Giuseppe Maria Orlandini  «Da torbida procela» de Berenice

      Johann Adolf Hasse  «Morte col fiero aspetto» de Antonio e Cleopatra

      Georg Friedrich Händel  «Piangerò la sorte mia» de Giulio Cesare

                                                            Passacaglia de Radamisto

      Giovanni Porta  «Madre diletta, abbracciami» de Ifigenia in Aulide

      Christoph Gluck  Música de bailado de Armide

                                           Air gracieux, Air sicilien

      Georg Friedrich Händel  «Brilla nell’alma» de Alessandro

 

   Este é o vídeo de lançamento do álbum que consubstancia este concerto :

   e este o registo duma das suas canções «Piangerò la sorte mia» de “Giulio Cesare” de Haendel :

 

 

15ADENDA IMPORTANTE : Ao falar na Fundação Gulbenkian, lembramos (o que por lapso não noticiámos ontem) que na Sexta-feira 1 de Fevereiro, às 21h30, há um Concerto de Entrada Livre no Grande Auditório onde os Solistas da Orquestra Gulbenkian Ana Beatriz Manzanilla (violino) (foto), Jorge Teixeira (violino), Chritopher Hooley (viola), Lu Zheng (viola), Levon Mouradian (violoncelo) (foto) e Jeremy Lake (violoncelo) irão tocar de :

      Richard Strauss  Sexteto para Cordas da ópera Capriccio, op. 85

      Antonín Dvorák  Sexteto para Cordas op. 48

 

elisabetematos_alfredorocha_640x396   Entretanto, quem quiser participar nas “Comemorações dos 20 anos da Orquestra Sinfónica Portuguesa” deverá dirigir-se neste Sábado 2 de Fevereiro à Sala Principal do Teatro Nacional de São Carlos onde, às 21h, a soprano Elisabete Matos  com a Orquestra Sinfónica Portuguesa  e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos (sob a direcção musical de Johannes Stert) interpretarão um extenso programa que inclui de : 

      Giuseppe Verdi   Ernani («Ernani, Ernani involami», Ária e cabaletta)

                                     Un ballo in maschera («Ecco l´orrido campo…Ma dall´arido stelo»)

      Richard Wagner   Tannhäuser («Dich, teure Halle»)

                                      Die Walküre

      Benjamin Britten   Peter Grimes («Who holds himself apart»)

      Giuseppe Verdi   Macbeth («Patria oppressa»)

                                     I vespri siciliani («Si celebri alfine»)

      Richard Wagner   Tannhäuser («Freudig begrüssen»)

      Benjamin Britten   Four Sea Interludes, op. 33 («Sunday Morning», «Storm»)

      Richard Wagner   Das Rheingold («Einzung der Götter»)

      Giuseppe Verdi   Macbeth («Ballabili»)

 

   Recuperamos uma gravação antiga de Elisabete Matos cantando uma das árias do programa, “Dich , teure Halle” do «Tannhäuser» de Wagner em 2004 :

 

 

Opus Ensemble   Quem, noutro ponto da cidade mais ribeirinho, passe pelo Centro Cultural de Belém e se interesse por música de câmara, poderá ouvir um curioso concerto intitulado “Música de Câmara na Jangada de Pedra” onde a formação portuguesa de larga tradição musical Opus Ensemble, composta por Pedro Ribeiro oboé, Ana Bela Chaves violeta, Olga Prats pianoI e Alejandro Erlich Oliva contrabaixo, se propõe fazer «um percurso selectivo na vertente ibérica da música de câmara, numa abordagem universalista, que abrange a diversidade resultante da gesta civilizacional de Portugal e de Espanha, em África e na América do Sul».

   Daí que no Pequeno Auditório, às 21h do mesmo Sábado 2 de Fevereiro, se vão ouvir as seguintes peças (com a particularidade de terem sido todas dedicadas ao Opus Ensemble, com excepção da obra de Falla) :

 

      Alejandro Erlich Oliva  Esboços de Câmara sobre temas tradicionales espanhóis

      Manuel de Falla  El paño muruno; Nana; Canción (de Siete Canciones Populares Españolas, transcrição para violeta e piano de Emilio Mateu e Miguel Zanetti para Ediciones Manuel de Falla)

      Fernando Lopes-Graça  Geórgicas

      Vasco Martins  Canto Cabo-Verdiano n.º 5

      Laurent Filipe  In Memoriam

      António Victorino d’Almeida  Três Andamentos à Procura de um Quarteto

 

   Por ser menos conhecida, ouça-se a sua interpretação da peça do quarto compositor deste concerto, o (luso)cabo-verdiano Vasco Martins :

 

 

the swifter   Já quem esteja aberto a novas sonoridades, mesmo as mais avançadas, terá uma oportunidade pouco frequente se entrar neste mesmo Sábado 2 de Fevereiro no Teatro Maria Matos para assistir na sua Sala Principal, às 22h, ao concerto da formação “The Swifter”, composta por Andrea Belfi bateria e percussão, BJ Nilsen computador e Simon James Phillips piano, tendo como convidado especial David Maranha.

   É este o seu primeiro concerto duma tournée após a saída do álbum do mesmo nome.

  A génese deste conjunto é relatada assim : O pianista australiano Simon James Phillips tinha a gravação de um álbum a solo agendada em Setembro de 2011 na “Grunewald”, mas, após um ensaio com BJ Nilsen semanas antes, percebeu que deveria partilhar a experiência com o músico electrónico. A três dias da gravação, um concerto inesperado com Andrea Belfi mudou novamente o plano, e, de duo, The Swifter passou a trio.

tumblr_inline_mhe45tssGb1qir70x   E quem os ouviu descreve : A acção inicia-se no encantatório piano de Simon James Philips, dentro e fora, sendo depois captado pela electrónica de BJ Nilsen que o liberta para a atmosfera em forma digital enquanto Andrea Belfi utiliza percussão para colorir os espaços livres e dramatizar o enredo. The Swifter congregam na perfeição a democracia do jazz, o rigor do minimalismo, o transe do pós-rock e o onirismo da eletrónica ambiental.

   O registo que se segue é apenas da responsabilidade de Andrea Belfi :

 

 

les estivants

   Por último, aos amadores de teatro sorri a oportunidade de assistirem, quer no Sábado 2 de Fevereiro às 21h30, quer no Domingo 3 às 17h, no Grande Auditório da Culturgest a mais uma representação de “os STAN”, uma das principais companhias europeias que têm sido presença habitual nos palcos de Lisboa, a mais recente em 2012 quando estrearam “Mademoiselle Else” de Schnitzler no alkantara festival e “Nora” de Ibsen no Teatro Maria Matos (na Culturgest já haviam apresentado três peças).

   Desta vez trata-se de “Les Estivants” (Os Veraneantes), um texto de Maxim Gorki (“Datchniki”, 1905), reinventado por e com Robby Cleiren, Jolente De Keersmaeker, Sara De Roo, Damiaan De Schrijver, Tine Embrechts, Bert Haelvoet, Minke Kruyver, Frank Vercruyssen e Hilde Wils, com figurinos de An D’Huys e luzes de Clive Mitchell, estreada na versão neerlandesa em 2010 em Antuérpia e na versão francesa em 2012 em Toulouse.

LES ESTIVANTS -   Descrevendo : “Les Estivants” põe em cena um grupo de amigos russos que passam o Verão juntos numa datcha. As conversas giram em torno da educação dos filhos, do amor, do casamento, da literatura, da vida… Bebe-se chá, fala-se e brinca-se, aproveita-se a água e o sol. E no entanto, há qualquer coisa que se anda a tramar. Este círculo de iluminados notórios, todos membros da burguesia, da intelligentsia russa, não pode esconder um grande nervosismo. Enquanto esperam para ver a sua vida completamente de pantanas, agarram-se uns aos outros e defendem com fanatismo a sua posição periclitante.

   Maxim Gorki escreveu a peça em 1905. A narrativa dramatiza a vida da classe média russa, bem como a sua atitude diante das mudanças sociais do início do século XX.

   Este breve trecho reproduz o clima da peça na sua primeira representação em flamengo :

   Para ouvir uma exposição pormenorixada dos objectivos desta representação ouçam-se dois dos seus comediantes principais Damiaan De Schrijver e Sara De Roo (em francês) aqui : http://youtu.be/k4w4W8klO_0  

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quinta aqui)

 

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