DESEMPREGO, AS ESTATÍSTICAS ESCONDIDAS DA EUROSTAT
François ASSELINEAU, Chômage: Les statistiques cachées de Eurostat
Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Parte I
Bem vindo ao mundo da mentira triunfante ou da mentira delirante, bem vindo ao mundo de Eurostat – Sobre números, o que se mostra, o que se pode estar a esconder .
Desemprego: as estatísticas escondidas de Eurostat:
|
E a comparação das taxas de desemprego da zona euro e da zona que está fora do euro, dizem-nos o quê? |
Número de desempregados: + 2 015 000 na zona euro num ano – 3000 na zona fora do euro
Eurostat é uma Direcção-Geral da Comissão Europeia encarregada da informação estatística à escala da União Europeia .
Esta Direcção tem como função produzir as estatísticas oficiais da União Europeia, principalmente através da recolha, harmonização e agregação de dados publicados pelos institutos nacionais de estatísticas dos países membros da UE. Uma das suas mais notáveis actividades é produzir comunicados públicos.
A NEUTRALIDADE APARENTE dos comunicados de Eurostat
Esta Direcção da Comissão acaba de publicar, a 8 de Janeiro de 2013, o seu comunicado de imprensa mensal sobre a situação de desemprego, desta vez relativamente ao mês de Novembro de 2012 (há aqui um atraso de um pouco mais de um mês).
Source : http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_PUBLIC/3-08012013-BP/FR/3-08012013-BP-FR.PDF
Sob o título “Novembro de 2012 – a taxa de desemprego está em 11,8% na zona euro – 10,7% na UE27″, este comunicado de 4 páginas, 3 páginas de notas e 1 página de texto – adopta o tom neutro que lhe é habitual e que se quer neutro como o tom de uma análise médica.” Este comunicado apenas mostra dados em cifras quase sempre sem qualquer comentário
Aí aprendemos assim que as taxas de desemprego ‘mais elevadas’ “foram registadas em Espanha (26,6%) e na Grécia (26,0% em Setembro de 2012)”.
Assim.
Mas o comunicado do Eurostat cuida-se bem para não especificar que essas taxas são novos registos históricos para os dois países, desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
A taxa de desemprego oficial acaba der atingir um novo recorde histórico em Espanha: 26,6 %
O pequeno estratagema dos comunicados de Eurostat para esconder o essencial
No entanto, a chave está algures.
Deixem-me explicar.
Eurostat apresenta-se no seu próprio site, da seguinte maneira:
“[Eurostat] é responsável pelo fornecimento de estatísticas da União Europeia a nível europeu, permitindo comparações entre os países e entre as regiões.
Este é um papel-chave. As democracias não podem funcionar correctamente se elas não se puderem apoiar em estatísticas fiáveis e objectivas. Em primeiro lugar, estas são necessárias para os decisores políticos ao nível do espaço comunitário, nacional e local e aos chefes das empresas nas suas tomadas de decisão. Por outro lado, elas permitem à opinião pública e aos meios de comunicação terem uma ideia precisa da sociedade contemporânea e para poderem avaliar os resultados, incluindo a acção política.
Naturalmente, as estatísticas nacionais são importantes ao nível dos Estados-Membros. As estatísticas da União Europeia quanto a elas são essenciais para qualquer decisão e avaliação a nível europeu.
As estatísticas fornecem respostas a muitas perguntas. A sociedade evolui ela de acordo com as promessas dos políticos? O desemprego tem estado a aumentar ou a diminuir? “
Source : http://epp.eurostat.ec.europa.eu/portal/page/portal/about_eurostat/introduction
Desde que Eurostat anuncia assim objectivos tão louváveis, então este organismo deve estabelecer, como primeira prioridade, a apresentação das estatísticas, permitindo uma comparação imediata entre a situação económica e social entre os Estados-Membros que adoptaram o euro e aqueles que mantiveram as suas moedas nacionais. A começar pela comparação das taxas de desemprego entre as duas zonas.
Tendo em conta a situação e as controvérsias que discutem profundamente os benefícios e os prejuízos possivelmente resultantes da introdução da moeda única europeia, isto é o mínimo das coisas a exigir, ou seja, publicar conjuntamente os resultados agregados da área do euro e na área que não faz parte do euro. Para retomar as mesmas palavras em termos de ética em que o Eurostat se quer basear no seu site, somente esta publicação dos dois resultados “permitiria comparações” e “permitiria à opinião pública e aos meios de comunicação” ” medir e perceber se a sociedade evolui de acordo com as promessas dos políticos”.
Pois bem, não.
Desde há anos – de facto depois da criação do euro – Eurostat assume a manhosice de apresentar os dois agregados e os dois somente:
1) Por um lado o conjunto dos países que constituem o conjunto dos 27 países da União Europeia que Eurostat designa pelo acrónimo “UE27″. Este agregado compreende pois a Bélgica (BE) , a Bulgária (BG), a República Checa (CZ), a Dinamarca (DK), a Alemanha (DE), a Estónia (EE), a Irlanda (IE), a Grécia (EL), a Espanha (ES), a França (FR), a Itália (IT), Chipre (CY), a Letónia (LV), a Lituânia (LT), o Luxemburgo (LU), la Hungria (HU), Malta (MT), Holanda (NL), a Áustria (AT), a Polónia (PL), Portugal (PT), a Roménia (RO), a Eslovénia (SI), a Eslováquia (SK), a Finlândia (FI), a Suécia (SE) e a Reino Unido (UK).
- 2) Por outro lado a zona euro reagrupa apenas 17 daqueles mesmos países que Eurostat designa pelo acrónimo “ZE17″. Este agregado compreende a Bélgica, a Alemanha, a Estónia, a Alemanha, a Irlanda, a Grécia, a Espanha, a França, a Itália, Chipre , o Luxemburgo Malta, os Países Baixos , a Áustria, Portugal, a Eslovénia, a Eslováquia, e a Finlândia .
O que falta de forma flagrante nesta apresentação é o terceiro agregado, constituído pelos dez países membros da EU que não são membros da zona euro.
Para retomar a metodologia de Eurostat , eu designo-o, quanto a mim, sob a forma do acrónimo “ZFE10″, para “Zona Fora do Euro a 10 Estados ”. Este agregado “ZHE10″ compreende pois a Bulgária (BG), a República Checa (CZ), a Dinamarca (DK),a Letónia (LV), a Lituânia (LT), a Hungria (HU), a Polónia (PL), a Roménia (RO), a Suécia (SE) e o reino Unido (UK).
A taxa oficial de desemprego acaba de atingir um novo recorde na Grécia : 26,0 %



