A jornada política é dominada pela tomada de posse dos novos sete secretários de Estado, marcada para as 17 horas de hoje – os seis que são substituídos e um sétimo para a criação de uma nova secretaria de Estado, a da Alimentação e da Investigação Agroalimentar. Coisa sem qualquer interesse. Gente escolhida por Coelho, Relvas e Portas, só pode ser estúpida ou incompetente, ou ambas as coisas. No PS continua o folhetim Seguro versus Costa, com o segundo justificando as nossas previsões – Costa só avança quando tiver a convicção de que ganha. O que pode significar “tarde” ou mesmo “nunca”. Também não nos interessa – é assunto dos militantes, cuja maioria parece querer tudo menos o Socialismo.
Hoje, dia em que passa o 105º aniversário sobre o Regicídio, preferimos falar de História. Na História Contemporânea de Portugal, no primeiro quarto de século, muitos foram os atentados – entre eles avulta o Regicídio. Outro magnicídio foi o atentado contra Sidónio Pais. A Noite Sangrenta, a Camioneta Fantasma, a Leva da Morte – episódios que testemunham uma forma de fazer política que – felizmente – vai caindo em desuso. Cruel e inútil. Percebeu-se que suprimir uma pessoa, em regra, não resolve um problema político. Veja-se esta gente que ocupa o poder em Portugal (e não só) – as jotas produzem coelhos com a mesma rapidez com que os coelhos se reproduzem.
O rei D. Carlos não terá cometido tantos disparates como os primeiros-ministros portugueses – gafes, declarações impopulares, uma vida privada pouco exemplar, perante um povo ao qual faltava quase tudo, ensino insuficiente, alimentação escassa, cuidados de saúde precários… A República prometia solucionar todos estes problemas. D. Carlos e a instituição monárquica estavam atravessados na linha, impedindo, o que parecia ser uma locomotiva de avançar…
A locomotiva voltou a ser travada por um tosco seminarista de botas e ideias antigas. Emídio Santana fez uma boa tentativa para o afastar. Houve conspirações e revoltas militares. Ao fim de mais de quarenta anos, uma velha cadeira, desconjuntando-se, fez o que anarquistas, comunistas, socialistas, antifascistas, não tinham conseguido.
Hoje, na linha do progresso, parece estar um coelho. Mas não. O insignificante láparo é apenas a imagem da nossa incapacidade colectiva para traçarmos o nosso trajecto e para o percorrermos em direcção ao território das nossas utopias. Lá, onde a fraternidade, a igualdade e a liberdade florescem.
