O FASCÍNIO DE SER FORMADOR – por António Mão de Ferro

O processo formativo deve fazer com que o participante ganhe novos saberes, mas não pode transmitir-lhe uma ideia desprofissionalizante. Isto é, deve levar em conta o que a pessoa sabe e não se impor como um agente definitivo de mudança, desvalorizando as competências que o participante possui. Um formando não pode ser encarado como um qualquer objeto a transformar.

A formação não pode ignorar experiências e conhecimentos adquiridos no percurso profissional pois eles configuram a própria identidade pessoal, na medida em que são a base fundamental para aperfeiçoar ou reconstruir a sua prática.

Se se quiser centrar a formação na empresa ou na organização, os organismos oficiais não podem impor às empresas programas standardizados, o que inclusivé vai contra aquilo que certos organismos certificadores, que agora impõem programas, defenderam no passado. O processo formativo, conteúdos, tempos e metodologia, terão cada vez mais de ser negociados e definidos com o grupo, criando-se condições para que os seus elementos cheguem a conclusões e tomem decisões. Standardizar é retroceder.

Sendo assim é necessário que o formador seja capaz de lidar com a interação do grupo, as suas tensões, repulsas, atrações, pressões, coerções, trocas, conflitos e modos de comunicar. Na formação tradicional, estes aspetos não preocupavam o formador. Mas a partir do momento em que se centra a formação na empresa entra-se na dinâmica do grupo, que é reflexo da vida da coletividade a que pertence, não se podendo ignorar que as forças que atuam no seu seio se fazem sentir por um lado através da coerção, da pressão social, da rejeição e da resistência à mudança e por outro, da atração, da interdependência e do desejo de mudança.

Jogar com a dinâmica de todas estas forças e encontrar a atração total que o grupo exerce sobre os seus membros, “coesão”, que permita um equilíbrio ou quase equilíbrio, é o grande desafio que se coloca ao formador, o que não é nada fácil. Mas é preciso não esquecer que o fascínio de ser formador reside na capacidade de ultrapassar as dificuldades que vão aparecendo no decurso da formação. Por isso o formador não deve recear as dificuldades ou os problemas com que se deparar, mas encará-los como fazendo parte da sua profissão. São eles que lhe dão a possibilidade de mostrar as suas qualidades como profissional.

Leave a Reply