EDITORIAL – DO REVIRALHO À VIRAGEM COM BILHETE DE IDA E VOLTA

Imagem2Hoje passa mais um aniversário sobre a Revolta de Fevereiro de 1927, também referida como Revolução de Fevereiro. Foi a primeira tentativa organizada para derrubar a Ditadura Nacional que se instalara em 28 de Maio do ano anterior. Nove meses após o golpe que pôs termo à I República,  entre os dias 3 e 9 de Fevereiro a cidade do Porto foi cenário de uma luta encarniçada. Ali estava instalado o centro de comando dos insurrectos e se travaram os principais recontros. A revolta, liderada pelo general Adalberto de Sousa dias, terminou com a rendição e prisão dos revoltosos e saldou-se em muitas centenas de mortos de feridos no Porto e em Lisboa, onde muitos dos revoltosos sobreviventes foram fuzilados. A Ditadura imnplantara-se sob o pretexto de pôr a casa em ordem, Na realidade, a desordem a que se chegara ao cabo de dezasseis anos de regime republicano era intolerável. E, com o apoio tácito de muitos republicanos, a República caiu, ainda que formalmente tenha continuado. Outros tempos, dir-se-á.

Outros tempos, sem dúvida. Mas a natureza humana é a mesma e a democracia representativa por que hoje nos regemos, fornece aos poderosos meios diferentes, mas igualmente eficazes de dominar. E o pretexto que um governo democraticamente eleito usa para cometer toda a epécie de arbitrariedades é o mesmo – pôr a casa em ordem.  Fernando Ulrich, o homem do momento pelas piores razões, após as suas lamentáveis declarações – “Ai aguenta, aguenta. Não gostamos, mas Portugal aguenta”. vem desmentir que disse o que toda a gente o ouviu dizer e defende que este governo “vai chegar ao fim, cumprir a legislatura e o mandato que tem na Assembleia da República”. O presidente do BPI diz mesmo: “Não vejo como pode não ser assim”, considerando que “não existem contradição entre política do governo e as palavras do presidente da República”. (…) “Tendo deixado o país chegar ao chegou não havia outra alternativa que não fosse pôr a casa em ordem” E diz que estamos num “momento de viragem” (…) “Estamos numa situação em que começa a ser plausível que o investimento comece a recuperar na economia portuguesa”.

Viragem? Para onde e para quê?

O movimento revoltoso de 1927 foi  considerado o primeiro de uma longa série de revoltas, genericamente desgnadas por “Reviralhismo”. Viragem – reviragem . reviralho – reviralhismo. Os miseráveis como este homem, como Vítor Gaspar, como Passos Coelho, não percebem que Portugal, que é o povo português e não a manada de bandalhos que à sua custa vive, aguenta, aguenta… até que acorda. Esquecem-se de que a viragem pode virar (passe o brasileirismo) reviralho.

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