Pentacórdio para Terça-feira 5 de Fevereiro

por Rui Oliveira

 

 

   Nesta Terça-feira 5 de Fevereiro, como na véspera, a vinda de grandes orquestras à Gulbenkian é necessariamente o evento do dia.

ORCHESTRE DES CHAMPS-ÉLYSÉES 1

   Assim,  ao Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian volta, às 21h, a Orchestre des Champs-Élysées dirigida pelo maestro belga Philippe Herreweghe que, na primeira peça, será acompanhado pelo jovem violoncelista dinamarquês/sueco Andreas Brantelid.

Philippe Herreweghe120218andreasBrantelid_1   É sabido que o maestro Philippe Herreweghe, conjuntamente com René Jacobs, outra visita recente do programa Gulbenkian Música, é um dos pioneiros belgas do movimento de autenticidade interpretativa da Música Antiga e que com a finalidade de servir adequadamente um repertório que se estende da Renascença à música moderna fundou, ao longo da sua carreira, diversos agrupamentos de tipos e dimensões variáveis : Collegium Vocale Gent, Ensemble Vocal Européen (polifonia renascentista), la Chapelle Royale (música barroca francesa) e Orchestre des Champs-Élysées (repertórios pré-romântico e romântico, em instrumentos originais), com os quais gravou mais de cem discos.

   Hoje, no entanto, o programa é bastante clássico e dele constam as obras de :

 

      Joseph Haydn  Concerto para Violoncelo e Orquestra, Hob.VIIb:1

      Ludwig van Beethoven  Sinfonia nº 3, op. 55, Heroica

 

   De entre as diversas orquestras que criou ou dirigiu, encontrámos este registo integral da Heroica de Beethoven interpretada pela Radio Kamer Filharmonie com Philippe Herreweghe como maestro em 20 de Fevereiro de 2011 no Concertgebouw de Amsterdão :

   O leitor que assista ao concerto poderá comparar a actual performance de Andreas Brantelid no Concerto para Violoncelo e Orquestra de Haydn com a mostrou em 2006 na final do Concurso da Eurovisão em Viena :

 

 

 

PosterHAINOwebLogoJapaoX   Noticiam os serviços do Palácio Foz que nesta Terça-feira 5 de Fevereiro haverá, na sua Sala dos Espelhos, às 22h, integrado nas comemorações dos “470 anos da Amizade Portugal-Japão”, um concerto de Keiji Haino (n. 1952, em Chiba, Japão) que, segundo a promotora Filho Único, “é um dos músicos e performers mais extraordinários dos nossos dias …  Com uma carreira com mais de quatro décadas, falamos de alguém que é um dos paradigmas nas linguagens da improvisação livre e do rock mais avançado, alicerçando-se na sua devoção ao poder dos blues primordiais, que transfigura em monumentais exorcismos …

keiji haino… O seu nome é reconhecido primordialmente como um dos mais explosivos e iconoclastas guitarristas do planeta, ao que importa sempre relevar o seu protagonismo como um dos mais inventivos vocalistas na música improvisada, com um espectro de interesses e concretizações que vão de um assombrado canto melódico às suas idiossincráticas convulsões guturais a plenos pulmões…

… Por influência do magnífico álbum “Un Autre Chemin Vers L’Ultime” de 2011, cuja gravação central da obra o fixou em voz e reverberação natural nas profundidades de uma gruta na vila francesa de La Haye de Routot, desafiámos o mestre nipónico dos black blues para uma performance vocal a solo nesta Sala dos Espelhos do Palácio Foz –uma das melhores acústicas que já ouvimos em Portugal, e que entusiasmaram o artista”.

   O concerto, ao invés do habitual nesta Sala, não é de entrada livre (bilh. 8 €).

   É este o vídeo (em japonês) de uma performance recente de Keiji Haino que foi divulgado concomitantemente para que o leitor aprecie :

 

 

 

conferª FCG   No campo das conferências/debate, há nesta Terça-feira 5 de Fevereiro no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian, das 11 às 13h, uma sessão pública (não só para os profissionais mas para todos os interessados no futuro do SNS) intitulada “Health in Portugal: a challenge for the future” Lançamento da Plataforma Gulbenkian para um Sistema de Saúde Sustentável com a presença, além do Presidente da FCG e do Ministro da Saúde, de especialistas estrangeiros como Nigel Crisp (membro da Câmara dos Lordes e Director Executivo do National Health Service de 2000 a 2006), Donald Berwick (Presidente e CEO do “Institute for Healthcare Improvement” até 2011 e Professor na Harvard University) e Ilona Kickbusch (Directora do “Global Health Programme” no Graduate Institute of International and Development Studies, Genebra).

   Esta Plataforma, constituída por uma comissão de vários especialistas internacionais e presidida por Lord Nigel Crisp, tem como objectivo repensar o sistema de saúde português estudando formas de manter a equidade, a acessibilidade e a solidariedade social de um modo sustentável e propor formas de actuação.

   A descrição pormenorizada das suas principais áreas de estudo, da constituição da Comissão de 7 membros, dos seus quatro Grupos de Trabalho (Serviços de Saúde e Saúde Pública, Cidadãos/Doentes do SNS, Pessoal para os Serviços, Fomentar  Conhecimento/Tecnologia/Inovação), do Conselho Consultivo (Advisory Board) e do seu Grupo de Apoio encontra-se em :

http://www.gulbenkian.pt/media/files/FTP_files/pdfs/GulbenkianPlatform_FutureforHealth/index.html#/5/zoomed .

 

 

cafe%20philo%20fev%202013   Outra palestra mais susceptível de debate é a que ocorrerá no “Café Philo” do Institut Français de Portugal onde, das 17h30 em diante, nesta Terça 5 de Fevereiro, numa  conferência animada por Omar Belhassaïn, Professor de Filosofia no Liceu francês Charles Lepierre, se tentará responder (em francês) à questão “Y a-t-il une place pour la métaphysique entre le boson de Higgs et le mur de Planck?”.

   Do texto introdutório divulgado, reproduzimos o primeiro e o último parágrafo :

   “ Le début du XXème siècle a été le témoin d’une crise majeure qui bouleversera la science physique. Alors que la communauté scientifique pensait dans sa grande majorité que cette science était achevée, deux nouveaux modèles théoriques vont naître qui modifieront profondément notre vision et notre représentation de la nature : d’une part le modèle relativiste initié par Einstein et qui portait sur le cosmos et la lumière ; d’autre part le modèle quantique élaboré principalement par Niels Bohr et Heisenberg et qui a élucidé (en partie) les questions soulevées par le comportement des particules élémentaires …

 … De Platon qui considérait qu’il devait y avoir une Idée du Bien comme principe ordonnateur de toute chose à un philosophe contemporain comme Luc Ferry qui défend l’idée d’une transcendance qui reste improuvée en passant par Descartes ou par Kant qui fait de Dieu un postulat de la raison pratique, les plus grands esprits de la philosophie ont délibérément choisi de poser et de soutenir un point de vue philosophico-théologique sur l’univers. Seulement, quitte à passer pour un positiviste déchaîné, je note que la physique contemporaine semble démontrer que la matière se suffit à elle-même, qu’elle est capable de s’auto-ordonner, et que finalement comme répondait Laplace à Napoléon, « Dieu est une hypothèse dont on peut se passer ».  La vision moderne de la nature laisse-t-elle donc une place à la métaphysique entendue comme discours sur une réalité autre que la simple nature ? “

 

 

   Lembramos, por último, como NOTÍCIAS EM ATRASO que :

 

recital

   Hoje, Domingo 3 de Fevereiro, a Orquestra  “Os Violinhos” dá um concerto na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 16h30, com entrada livre, numa iniciativa da Academia de Música de Lisboa.

   O programa deste recital não foi até agora divulgado.

 

 

12-joaogomessasilva

   Amanhã, Segunda-feira 4 de Fevereiro, tem início no Grande Auditório da Culturgest, mais um ciclo de quatro conferências sobre “Lisboa: a espessura do Tempo” pelo arquitecto-paisagista João Gomes da Silva, professor na UAL.

   Diz a sua introdução : “A conferência porá em perspectiva a ideia de que a construção da Cidade de Lisboa enquanto uma forma de Paisagem é um fenómeno que se pode compreender a partir do conhecimento da sua Natureza, da transformação dessa Natureza em Paisagem, da construção da sua Paisagem enquanto fenómeno cultural e do potencial de desenvolvimento que contém no seu próprio corpo e identidade …

… Terá a Paisagem da Cidade de Lisboa uma genética que contem todos estes dados e a explica? Poderá ser entendida enquanto erupção, sedimentação e metamorfose de factos naturais e culturais interrelacionados e cristalizados na forma urbana e nas suas dinâmicas? Poderá o desenvolvimento de um novo ciclo histórico, cultural e económico, recriar a sua identidade, poder económico e afirmação cultural, e construir uma Cidade, que é uma Região, que é uma Paisagem Global?

   Desenvolvendo-se ao longo de quatro sessões semanais, o ciclo abordará os temas da “Natureza da Cidade”, da “Paisagem como Transformação”, da “Paisagem como Construção Cultural” e da “Espessura do Tempo”.

   A entrada é gratuita com levantamento de senha de acesso 30 minutos antes, sendo este ciclo de conferências transmitido em directo no site da Culturgest.

  

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Domingo aqui)

 

1 Comment

Leave a Reply