REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Que esconde a nomeação de Vittorio Grilli pelo Presidente do Conselho italiano Mario Monti? Por François Asselineau.

Selecção, tradução e nota de leitura, por Júlio Marques Mota

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Parte IV

(conclusão)

 

CONCLUSÃO: PORQUÊ  AGORA?

A questão que é legitimo levantar é então porque  é que Mario Monti decidiu transferir, neste 11 de Julho de 2012, o cargo de ministro das Finanças que ele acumulava  com o  de Presidente do Conselho?

Como resposta, a primeira ideia que nos vem à cabeça – ou seja, que ele estava sobrecarregado com actividades – provavelmente não é a resposta correcta :

-por outro lado, porque é que só  no final de 8 meses de trabalho se dá  conta que não é possível combinar as duas funções?.

-por outro lado porque as próximas eleições  gerais  na Itália serão  realizada em Maio de 2013 a fim   de  renovar a Câmara dos deputados e do Senado da República. Mario Monti, que já fez quase metade do seu tempo com acumulação dos lugares de  Presidente do Conselho e do ministro das Finanças, bem poderia manter esta acumulação até ao final.

Então? Bem, a explicação deve, talvez, ser procurada  noutro lugar, a explicação deve ser outra. Porque neste 11 de Julho, Mario Monti não só  nomeou  Vittorio Grilli para o cargo de ministro das Finanças como também,  perante a imprensa, também anunciou  que ele se excluía de procurar  um novo mandato no final do actual.

-Por último porque Vittorio Grilli, que era já vice-ministro das Finanças, era claramente e no plano  dos factos o ministro de então . Nada, a priori, portanto, o obrigava agora a promover Grilli.

Falando à margem da Cimeira dos Ministros das Finanças em Bruxelas, Màrio Monti  lembrou  que  sempre tinha excluído   continuar  a ser  chefe do governo,  depois das próximas  eleições,  na Primavera de 2013.

  [Fonte: http://tempsreel.nouvelobs.com/monde/20120711.FAP5540/italie-mario-monti-exclut-de-rester-au-pouvoir.html ]]

É verdade que Monti tem 69 anos e considera talvez  que atingiu a idade de passar a mão para outros . Mas esta declaração de renúncia, simultânea com a nomeação de  Grilli, também vem num momento  em que a  situação financeira e política de Itália não deixa de se estar a degradar e de forma contínua.

Como se tem já  assinalado  desde  há já  alguns poucos dias, a taxa de juros sobre os  títulos italianos com a maturidade de  10 anos  está a alcançar  níveis exorbitantes, o que é uma evidência da desconfiança  dos mercados.

Por outro lado, e enquanto que  ele sempre tinha  afirmado o contrário, Mario Monti eventualmente acabou por engolir  o seu próprio chapéu ontem ao  admitir à imprensa que a Itália poderá, finalmente, ir recorrer ao fundo de apoio da  zona euro.

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Mario Monti é o primeiro a saber que estes fundos de apoio são ainda inexistentes. O  MEE tem estado a ser adiado , a Finlândia e a Holanda bloqueiam-no,  e, em seguida, o Tribunal de Karlsruhe não se pronunciará  antes de 3 meses, se é que o MEE não vai acabar  pura e simplesmente no cesto dos papeis , como sendo contrário à Constituição alemã e à democracia.

Em suma, a hipótese alternativa a considerar, portanto, é pois que  Mario Monti  vá  começar a admitir que o golpe de Estado que o  levou  a ser nomeado  em Novembro  último acabe por se mostrar ser  um  terrível fracasso.

Ele não  terá feito mais do que apenas retardá-lo  mas não poderá ser capaz de travar a catástrofe que aí vem.

De repente, tudo se explica  perfeitamente:

– Mário  Monti anuncia  que vai deixar suas funções governamentais  na Primavera, na esperança de que o euro não vai estourar até então

– e descarta-se do  mistigri do Ministério das Finanças para passar a responsabilidade do desastre  que está já em marcha  para as mãos de  Vittorio Grilli, que  se trataria assim “grelhar “  (passe a expressão do jogo de palavras) em vez de ser ele a passar por isso.

Esta nova situação é obviamente seguida à lupa pelo  “Il Cavaliere”, o ex-chefe de governo Silvio Berlusconi, que foi mandado embora  como um qualquer empregado mal-educado  em Novembro passado e que provavelmente tem estado a amadurecer a  sua vingança, como é já uma longa tradição, de milénios, nas margens do Rio Tibre.

Hoje mesmo,  Angelo Alfano, um de seus mais próximos auxiliares políticos,  aproveitou as  declarações de Mario Monti para certificar à imprensa que estamos a assistir a  um movimento crescente na opinião pública  para apoiar  o regresso de Berlusconi   à politica . E  este político muito próximo de IL Cavaliere  considerou útil  anunciar : “eu acredito que, finalmente, ele decide  apresentar-se  [às eleições de Maio].”

Definitivamente, Angela Merkel, José Barroso, todos os planos de rigor, todas as  ”  reformas  indispensáveis “ e todos os think tanks europeístas  financiados pela Goldman Sachs e pela  Microsoft não vão  mudar o facto de que a Itália será sempre a Itália…

Isto é, aliás,  muito bom  porque é o  índice mais seguro que o euro não está para durar  ainda muito mais tempo a reivindicar a mudança dos povos contra a sua própria vontade.

François ASSELINEAU

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