A FERREIRINHA – por Fernando Correia da Silva

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O Duque de Saldanha, Presidente do Conselho de Ministros, fica deslumbrado com a fortuna da viúva Antónia Adelaide, a Ferreirinha. TãoImagem1 ofuscado que pretende meter-lhe o dente. Mas como? É muito simples, pensa ele: basta casar o seu filho com a filha de Antónia Adelaide Ferreira. Esta agradece mas recusa o convite. Por dois motivos: 1º) Maria d’Assunção tem apenas onze anos. 2º) Esposo deve ser escolhido pela donzela e por mais ninguém do que ela.  Antónia Adelaide apanha depois um zunzum: a filha d’a Ferreirinha vai ser raptada pelos homens do Duque de Saldanha, assédio! Mãe e filha disfarçam-se de camponesas e, ajudadas pelo povo, em 1855 fogem para Espanha e dali saltam para Londres.           

Mais tarde a Maria d’Assunção casa com o Conde de Azambuja e a Antónia Adelaide casa com José da Silva Torres, seu secretário administrativo (e que irá falecer em 1880). Resolvidos os assuntos de matrimónio, os quatro regressam a Portugal.

Mas para além dos desencontros sentimentais, há outras crises:

 A mais castigadora é a comercial: abundância de produção, porém o chamado vinho do Porto fica nas adegas, não há mercado, não se vende! Muitos são os durienses que resolvem emigrar para o Brasil em busca de melhores condições de vida,. Mas na casa dos teus mil trabalhadores, ó Ferreirinha, nunca falta pão, estás sempre presente. Trabalhadores que transformam ribanceiras em socalcos, plantam e tratam as videiras, fazem as vindimas, pisam as uvas, lotam os toneis e as barricas, conduzem os rabelos e depois enchem, arrumam e transportam as garrafas.

Para impedir as quintas do Douro de caírem na mão dos ingleses, a Ferreirinha compra uma atrás da outra. Mais tarde irá entregá-las por preço simbólico (ou até doá-las) aos antigos proprietários.

Outra iniciativa: a Ferreirinha não pára de subsidiar a construção dos hospitais de Peso da Régua, de Vila Real, de Moncorvo e de Lamego.

Ó Antónia Adelaide: é de estranhar que todo o povo duriense ora te chame Ferreirinha, ora santa, ora mãe dos pobres?


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