por Rui Oliveira
A Segunda-feira 18 de Fevereiro confirma o “hábito” de os inícios de semana não serem férteis em acontecimentos como se a semana demorasse a “arrancar” …
Daí que só no bar de A Barraca vamos encontrar, como evento algo criativo, um novo Encontro Imaginário, a série de que Helder Costa é autor e moderador, onde se pretende suscitar «o confronto de ideias através de personagens marcantes da História da Humanidade». As personalidades, neste 44º Encontro, são exclusivamente portuguesas.
Teremos D. Luísa de Gusmão (1613-1666), nobre andaluza (Huelva) mulher de D. João IV, 1ª rainha da 4ª dinastia, a qual ficou célebre pelo apoio decisivo dado à conspiração de 1640 que devolveu a independência a Portugal. O conde da Ericeira atribuiu à duquesa Dona Luísa o propósito de que seria “mais acertado (de) morrer reinando do que acabar servindo”, a partir do qual se criaram sonoras frases ao gosto popular, como a de que ela teria afirmado, «melhor ser Rainha por um dia, do que duquesa toda a vida».
Já no século XIX encontramos a figura do bandido ao serviço de linhas políticas inimigas. João Brandão (1825-1880), com seus irmãos António e Roque, o próprio pai, primos e acólitos, constituiu um dos bandos políticos que, armados de bacamartes, clavinas e clavinetes, trabucos e punhais, dominaram as Beiras a ferro e fogo. Foram “voluntários da Rainha” (Dona Maria II) que partiram de Midões para combater na guerra civil e depois se mantiveram, encostados ora ao Partido Progressista, ora ao Partido Regenerador, ora ao Partido Histórico. O seu chefe, sempre objecto de estranha protecção oficial, acabou por ser degredado para Angola onde continuou a gozar por algum tempo de privilégios especiais (vide Companhia Agrícola Cassequel).
Recuando no tempo, encontramos Santo António de Lisboa (1195-1231), de seu primeiro nome Fernando, também conhecido como Santo António de Pádua, um Doutor da Igreja que viveu entre os séculos XII e XIII. Tornou-se franciscano em 1220 e viajou muito, vivendo inicialmente em Portugal, depois em Itália e em França. Santo António de Lisboa é também tido como um dos intelectuais mais notáveis de Portugal do período pré-universitário. Possuidor de grande cultura, documentada pela colectânea de sermões escritos que deixou (e daí o livro ser um dos seus símbolos), transformou-se no imaginário popular num santo muito popular (a distribuição de pão, outro símbolo, aos pobres terá contribuído para tal) a quem se atribuem inúmeros milagres.
Como actores teremos como Dª. Luísa de Gusmão – Carolina Parreira, João Brandão – Adérito Lopes e Santo António – Sérgio Moras.
Entretanto o “Festival Debussy +”, organizado como temos divulgado pelo Institut Français e o departamento Gulbenkian Música, prossegue na homenagem ao centenário de Claude Debussy com iniciativas para-musicais.
Os entusiastas daquele compositor francês poderão assim, nesta Segunda-feira 18 de Fevereiro, deslocar-se ao anfiteatro do Institut français du Portugal, às 19h, onde assistirão à conferência “Debussy e a modernidade” com intervenções de Jean-Louis Gavatorta (Administrador geral da Orquestra des Champs Elysées e durante 7 anos responsável pelo departamento de Música Clássica e Contemporânea do Institut français), Marc-André Dalbavie (compositor em residência da temporada 12/13 da FCG), Philippe Clarac e/ou Olivier Deloeuil (encenadores do espectáculo “Le Martyre de Saint Sébastien” a apresentar dia 21 e 22 de Fevereiro na Fundação Gulbenkian).
A entrada é livre, limitada à lotação da sala.

Quem permanecer naquelas instalações do Institut Français poderá, às 21h, visionar “Teorema”, filme de Pier Paolo Pasolini (Itália, 1969, Drama) com Silvana Mangano, Laura Betti, Terence Tramp e Massimo Girotti nos papéis principais.
Sinopse: Um homem, jovem e de estranha beleza, introduz-se numa família burguesa que sucumbe ao seu encanto. A sua partida inesperada abala os membros da família.
Este filme foi a fonte de inspiração para a encenação de Jean-Philippe Clarac e Olivier Deloeuil de “Le Martyre de Saint Sébastien”, que será apresentado no encerramento do Festival Debussy+, nos dias 21 e 22 de Fevereiro, na Fundação Calouste Gulbenkian.
A entrada é igualmente livre, limitada à lotação da sala.
Eis um seu excerto, podendo a película integral ser observada em http://youtu.be/Jmhcc39OHL4 .
Lembramos também, como outra conferência/debate do dia, aquela que tem lugar no Grande Auditório da Culturgest, às 18h30 desta Segunda-feira 18 de Fevereiro, pelo Arquitecto-Paisagista João Gomes da Silva e que constitui o terceiro plano dum ciclo de quatro conferências intitulado “Lisboa: a espessura do Tempo” (que já aqui noticiámos).
Esta sessão abordará o tema “Da Paisagem como Construção Cultural”, integrada num ciclo que pretende pôr “… em perspectiva a ideia de que a construção da Cidade de Lisboa enquanto uma forma de Paisagem, é um fenómeno que se pode compreender a partir do conhecimento da sua Natureza, da transformação dessa Natureza em Paisagem, da construção da sua Paisagem enquanto fenómeno Cultural e do potencial de desenvolvimento que contém no seu próprio Corpo e Identidade. A aproximação à complexidade desta forma de Paisagem que se constitui como Cidade é feita de forma não-linear, porque o que resulta do conhecimento a partir de diferentes perspetivas (a Natureza, a Construção, a Cultura e a sua Revelação) não pode jamais ser entendido de forma fragmentada, mas através da sua articulação…”.
O ciclo pode ser seguido através do site http://www.culturgest.pt/actual/01/13-joaogomesdasilva.html , onde se encontram arquivadas as conferências já havidas.
Para aguçar o apetite, eis o registo da palestra de abertura :
Por último, no campo intelectual, chamamos a atenção para os debates do PEN Club Português que têm lugar, desde há tempo, na Biblioteca do Goethe-Institut (Campo dos Mártires da Pátria, nº 37) aqui intitulados “Ideias Mortais” e que nesta Segunda
-feira 18 de Fevereiro ocorrem às 19h sobre “Pensar e Criar em tempos de desafio/difíceis/árduos …”.
Teremos André Teodósio (actor e encenador de teatro, colaborador da Companhia O Cão Solteiro) à conversa com André Barata (Doutor em Filosofia Contemporânea pela Universidade de Lisboa) e Maria João Cantinho (escritora, crítica e ensaista, professora no IADE).
Na ordem do dia estarão o pessimismo e a angústia. André Teodósio é o convidado do Goethe Institut para debater formas e modos de intervenção possíveis, na nossa cultura actual. Como pensar, como agir e intervir socialmente neste contexto é o desafio proposto neste debate, como modo de ensaiar o salto do pensamento.
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sábado aqui)



1 Comment