“LISBOA, LIMPA POR FORA, PODRE POR DENTRO” – COMO A VÊ O ARTISTA VHILS por clara castilho

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Em diversas cidades do mundo se podem observar rostos esculpidos em paredes que provocam nos transeuntes sensações estranhas e interrogações quanto à forma como tal foi conseguido. Aqui bem pertinho, na Av. Calouste Gukbenkian ou em Sete Rios.

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Seu autor é Vhils, nome por que é conhecido Alexandre Farto. Diz-nos o blogosfera que nasceu em Lisboa em 1987, terminando os seus estudos em 2008 na University of the Arts em Londres. Já aos treze anos pintava muros de ruas e comboios da margem sul do rio Tejo.

Desenvolveu uma técnica usando explosivos, grafite, restos de cartazes, metal enferrujado para criar retratos e frases. Usa ferramentas várias, que podem ir do stencil a ácido ou martelos pneumáticos, tirando partido dos diferentes materiais que trabalha. Podemos vê-lo de máscara e óculos, protegendo os olhos e estilhaços andando pelo ar.

Existem trabalhos seus espalhados por vários locais do mundo como as cidades portuguesas de Lisboa, Porto e Aveiro, Londres, Moscovo; Bogotá, Medellin, Nova York, Los Angeles. Partilha o tempo entre Londres e Lisboa, tendo, nos últimos anos, exposto e trabalhado em Xangai, Paris e Rio de Janeiro.

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É, e sempre foi, a cidade a motivá-lo. “Todo o trabalho que executo na rua é uma declaração de amor-ódio ao espaço urbano”, diz Alexandre. “Pegar na imagem de um cidadão comum, do everyday hero, e dar-lhe espaço numa cidade, criar uma metáfora sobre o quanto uma pessoa pode cravar uma cidade como a cidade a crava a ela. Esse ciclo sempre me interessou bastante, pelo caótico da cidade e a maneira como influenciamos as coisas sem estarmos conscientes disso. Trabalhar com o caótico levou-me ao trabalho com a destruição: construir, destruindo”.

O trabalho que faz, reconhece, “é uma crítica, de alguma maneira, política”. “O graffiti foi a minha escola, deu-me o acto de intervir no espaço público”. “Quando não há intervenção das pessoas no espaço público, os lugares tornam-se estéreis. O espaço público deixou de ser visto como espaço de interacção, de comunicação, de discussão, de enriquecimento, de diálogo”. “As paredes reflectem a contemporaneidade; a velocidade com que essas camadas estão a fazer essa construção sempre me cativou, e interessa-me perceber como conseguir tirar da cidade uma impressão daquilo que se vive”, acrescenta.

O seu trabalho fez capa do jornal The Times britânico, a BBC chamou-lhe “o Banksy português”, o The Telegraph batizou-o “Andy Wall-hole”, o The Guardian elegeu a sua obra como uma das dez melhores de street art do mundo.

A mais recente intervenção de Vhils é a cara da menina Oliva, funcionária de empresa de São João da Madeira, retirada de um cartaz publicitário às máquinas de costura. A obra será uma homenagem aos antigos operários – não esquecendo que aquele muro assistiu aos tempos áureos de uma indústria que chegou a ter 3.300 trabalhadores até à decadência e, por fim, ao silêncio absoluto, ao fecho da empresa.

 A 25 de Abril, é inaugurada uma exposição sua no Rio de Janeiro. E, em breve, será lançado o catálogo do projecto que fez na favela da Providência, no Rio de Janeiro.

 Ler mais: http://visao.sapo.pt/vhils-um-homem-na-cidade=f668673#ixzz2GesZ3iVW

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