A FREGUESIA DE SANTO ISIDRO DE PEGÕES, por José Bastos.

A Freguesia de Santo Isidro de Pegões foi criada por iniciativa do Governo em 1957, por causa da ex-colónia agrícola de Pegões

Igreja de Santo Isidro em Pegões Velhos, projecto do arquitecto Eugénio Correia
Igreja de Santo Isidro em Pegões Velhos, projecto do arquitecto Eugénio Correia

Todas as freguesias criadas no século XX, no concelho de Montijo, aconteceram por iniciativas populares apoiadas pelos Partidos Políticos locais, com excepção de Santo Isidro de Pegões que não foi por iniciativa popular, mas, sim por decisão do Governo.

A freguesia de Santo Isidro de Pegões foi criada em 1957, porque o Governo da época implantou naquele local uma colónia agrícola. M.M. MEEUS na obra “Santo Isidro de Pegões”, chamou-lhe a “freguesia nascida no deserto”.

A freguesia nasceu para existir política de proximidade para as 206 famílias de colonos que  foram ocupar e explorar uma vasta área de terrenos agrícolas e florestais com mais de 4.700 hectares.

Os casais agrícolas tinha cada um  uma área média de dezoito hectares, dotados de habitação e instalações agrícolas (silos, estábulos, pocilgas e nitreiras), beneficiando ainda de sistemas de captação de águas subterrâneas e de superfície (33 km de rede de rega para 240 hectares de regadio, duas barragens e vários furos artesianos). A cada casal correspondiam onze hectares de sequeiro, quatro de vinha, um de regadio e dois de pinhal, tendo ainda direito, por parte da Junta de Colonização, a uma vaca, uma vitela, uma égua, uma carroça com alfaias e um empréstimo de seis mil escudos. Estas facilidades levaram a que, a partir de 1952, cinco anos após o início das obras de transformação da herdade de Pegões, 206 colonos e respectivas famílias ali se fixaram.

A Junta de Colonização interna construiu ainda as seguintes infra-estruturas: escolas primárias, centros de convívio, 3 centros sociais de apoio à infância, postos médicos, 2 igrejas, 3 centros de assistência, casas para os técnicos residentes e uma pousada para o pessoal técnico exterior.

Os projectos agrícolas foram da responsabilidade dos professores de agronomia Mário Pereira e Henrique de Barros. Este último era uma pessoa muito conhecida no país, pois foi Presidente da Assembleia Constituinte, logo a seguir ao 25 de Abril.

A freguesia tem 55Km2, com 4 núcleos urbanos: três que pertenciam à antiga colónia agrícola de Pegões (Pegões Velhos, Figueiras e Faias) e um na zona de Foros do Trapo. A sede de freguesia fica situada em Pegões Velhos a cerca de 25 Km de Montijo, sede de concelho.

Hoje, as propriedades que constituíam o colonato agrícola de Pegões são privadas e sem qualquer ónus (inicialmente tinham o ónus de casal de família). Portanto, trata-se de uma freguesia rural  normal com grande produção agrícola e pecuária.

A Cooperativa Agrícola de Pegões, fundada em 7 de Março de 1958, para transformar em vinho as uvas produzidas pelos colonos, passou por tempos difíceis, mas hoje, é uma cooperativa muito bem gerida, produtora de vinhos de grande qualidade, dezenas deles medalhados no país e no estrangeiro.

Conheci muitos pessoas que foram trabalhar para os casais e sei que para terem uma vida digna para as suas famílias tinham que trabalhar muito. Viviam num deserto e o trabalho no campo naquela altura era muito duro.

Il lateral e traseira da Igreja de Santo Isidro de Pegões Velhos.
Il lateral e traseira da Igreja de Santo Isidro de Pegões Velhos.

Escola do 1º ciclo do ensino básico de Pegões Velhos
Escola do 1º ciclo do ensino básico de Pegões Velhos

1 Comment

  1. BOA TARDE, vi a reportagem ontem 15/01/2017, na rtpi e fiquei admirado por essa linda igreja que nao conhecia, sou de Grijó perto de ESPINHO, tambem gostei de ver as casas e a vinha, muito linda e as morailhas na ponte embora o rio sem agua aqueduto, muita histoira linda a divulgar na rtpi para que hajam muitos visitores estrangeiros! AMERICO SILVA RADICADO EM FRANCE hà muitos anos OBRIGADO

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