Eckardt manda e Hess começa a iniciar Hitler na cosmogonia de Horbiger, o fogo e o gelo, os Superiores Ocultos. Os seus Grandes Segredos estão apenas ao alcance de um grupo de Eleitos: os irmãos da Thule. Tais como Eckardt, Haussoffer, Sebottendorff, Rosenberg e o próprio Hess. Que Hitler se submeta aos ritos esotéricos da Thule; que aprenda as litanias encantatórias; que domine a magia dos sinais de dedos; que contacte os Superiores através do auto-hipnotismo, do transe, da telepatia. E eis que se revela providencial o diapasão noturno de Adolf Hitler. Predestinada é a sua caixa de ressonância. É ele quem vai salvar a única e verdadeira raça humana, a nórdica. Porque as outras são as degeneradas, as sem futuro, as que podem corromper e deter a ascensão dos povos germânicos.
Mas uma coisa é o saber oculto. Outra, o que se diz para o exterior. Hitler dita e Hess escreve o Mein Kampf (A Minha Luta), o livro que irá vender-se aos milhões. É a cartilha do nacionalismo e do racismo. É a apologia do Estado como defensor do sangue, do solo e da língua. E que há-de ser personalizado por um führer messiânico, portador da vontade do povo.
Ainda em 1923, no leito de morte, Eckardt dirá:
– Sigam Hitler! Vai dançar mas eu é que fiz a música. Permitimos que entrasse em contacto com Eles… Influenciei a História mais do que qualquer outro alemão.