MECO – por Fernando Correia da Silva

Um café na internet

                

 logótipo um café na internet

O Américo lá consegue engatar a Isabel, uma pernóstica que usa o pseudónimo Fritz. Diz-me o Américo:  

– A Fritz queria mar e sol. Levei-a a uma praia deserta que fica perto de Alfarim, ali a meio caminho entre a Costa da Caparica e o Cabo Espichel. Deitados na areia, a Fritz começa a declamar poemas franceses. Ao chegar a Paul Éluard baixa o fato de banho até à cintura, mamas ao léu. Ao inflamar-se com André Breton descasca-se toda e eu trato de acompanhar a desfolhada. Ao ritmo francês, o sol a lamber os nossos corpos nus… É quando avisto um miúdo, atrás de uma moita, a espiar-nos. Dou um grito e ele corre que nem lebre. Precavidos, eu e a Fritz tornamos a vestir os fatos de banho. Fizemos bem porque, dez minutos depois, aparece o miúdo a guiar um rancho de curiosos, todos adultos. Olham fixamente para nós e eu grito o que é que há? Respondem nada, nada! e acertam umas bolachadas no garoto, o qual trata logo de fugir, e nós a rir… 

Cena ocorrida há mais de meio século… O divertido é que hoje, perto de Alfarim, há uma zona para nudistas chamada Praia do Meco. Palavra que significa Atrevido, Lascivo, Devasso. Crisma para nudista? Acho que não. Meco será abreviatura de Américo… Ou não será?

Leave a Reply