Continuamos a nossa greve de comentar a actualidade, mas sem quaisquer complexos de culpa – por exemplo, a grande confusão política em Itália vai ser amplamente analisada, inclusivamente pelo excelente jornalista José Goulão, a resignação de Bento XVI será objecto de uma crónica de Sílvio Castro e a vergonha que se está a passar em Portugal, com um grupo de idiotas corruptos à solta, também não escapa à observação de Júlio Marques Mota e de outros colaboradores. Da insatisfação e da preocupação vivida pelos militares, Pedro Pezarat Correia nos falou ontem. Rui de Oliveira diz-nos o que de bom vamos ter no plano cultural, Manuel Simões (que lança amanhã na Livraria Bulhosa um livro com ensaios sobre áreas culturais do mundo lusófono), fala-nos de poesia, Leça da Veiga visita o passado recente e José Brandão interna-se nos meandros da história de um país a que chamaram Portugal. Pedro Godinho e uma equipa de hispanos (que não de espanhóis), exibe o mosaico da riqueza cultural da Península e dos anseios de libertação sentidos pelas nações oprimidas pelo centralismo do «Reyno». A exposição virtual de pintura e fotografia está nos acabamentos da sua preparação, com os andaimes a ser retirados, o pó a ser limpo… o costume. O Fernando Correia da Silva continua a presentear-nos com os seus excelentes contos. O Moisés Cayetano Rosado coloca ante os nossos olhos a riqueza da nossa arquitectura militar (e não só). A música escolhida pela Lídia e pelo Luís Rocha, suaviza o despertar para mais um dia. E a Clara Castilho leva-nos até à nossa realidade interior para melhor desenharmos a vida.
Como o blogue está bem entregue, íamos falar do Herbert Marcuse, de um seu discurso, realizado em Março de 1969 no aeroporto de Vancouver e de que publicou depois um opúsculo. As autoridades canadianas, quando ele chegara, na véspera, tinham-no intimado a abandonar o país. Por isso fez uma palestra para estudantes que foram ao aeroporto. «Exigir o Impossível» foi o título dado ao livrinho onde a palestra foi registada. Título que retirou de um graffiti nas paredes da Sorbonne, no escaldante Maio do ano anterior: «Sejamos realistas, exijamos o impossível!» É isso que A Viagem dos Argonautas sobretudo vai fazendo – todos os dias exigimos o impossível. Porque só exigindo o impossível, sendo radicais (ou seja, indo à raiz dos problemas) é que podemos tentar contrariar a manipulação que é feita às consciências de milhares de milhões de pessoas. Impossível é hoje desenvolver a análise ao pensamento de Marcuse. Fica para outro dia – a viagem continua.
Um pormenor: ontem registámos mais um recorde de visitas. Parece haver quem goste de nós.
E PEDIMOS A VOSSA ATENÇÃO AO POST QUE SE SEGUE.
