ANOS ATRÁS – Eleições da Associação Académica de Coimbra (1953) – 2 – por Carlos Leça da Veiga

 (Continuação)                                            

Levanta-se em Direito o problema do sistema de exames, o carácter selectivo do 6º. Ano, e mil e umas questões de pormenor. Propõe-se em Ciências a supressão dos exames de frequência, ou a sua transformação em facultativos; surgem com a nova reforma problemas de precedências e estágios. Sugere-se em Medicina a criação em Coimbra do Curso de Medicina Sanitária e critica-se o processo de ingresso no Instituto de Medicina Tropical. Erguem-se protestos em Letras contra o número excessivo de cadeiras de carácter geral, introduzidas em certos cursos de especialização, com prejuízo precisamente das cadeiras fundamentais. Discute-se a viabilidade e vantagem da transformação da Escola de Farmácia em Faculdade. E, enfim, comuns a todas as Faculdades, velhos problemas de horários, ou de livros de texto, ou de programas.

Ante a diversidade de opiniões e a multiplicidade e complexidade de aspectos de qualquer dos problemas citados (e tantos outros haveria a citar), impossível, pois, apontar soluções. Também aqui, no campo dos problemas pedagógicos, haverá que promover antes a larga e generalizada discussão, na A.A., durante o próximo ano, que proceder como que à organização dum Congresso dos estudantes de Coimbra. Só depois será possível a correcta e completa apreciação da orgânica da Universidade e a representação junto das entidades competentes.

Problemas culturais: Fruto de orientação errónea, os resultados alcançados no trabalho cultural dentro da A.A. estão longe de terem atingido a necessária relevância na vida do universitário de Coimbra. Reduzido, nesta luta pela cultura, a simples elemento passivo, a mero auditor de conferências, o estudante não conseguiu achar ainda interesse nas actividades do Conselho Cultural. Ora, se se pretende de facto proceder, neste campo, a trabalho de algum modo vasto e produtivo, haverá, naturalmente, que conseguir primeiro a colaboração activa e directa dos próprios indivíduos a quem esse trabalho se destina. A substituição (não eliminação) das simples conferências por debates, a organização de cursos livres e de equipas de estudo e investigação serão decerto a única forma de se vitalizar e dinamizar as actividades culturais dentro da A.A.. E, também, a única forma de se alcançar uma cultura viva, integral e por todos realizada.

Contudo, para que o plano de facto resulte, necessário se torna conseguir a cedência do Teatro da Faculdade de Letras para actividades culturais, Secção de Cinema, etc., e organizar em bases eficientes a Via Latina, o Posto Emissor e a Biblioteca.

Poderá ainda encarar-se a possibilidade de organização duma Secção do Livro, para a aquisição, em condições satisfatórias, de livros técnicos portugueses ou estrangeiros.

(Continua)

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