ILHAS MALUCAS – por Fernando Correia da Silva

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Manhã de 1515, Mar de Sonda. Vindo de Malaca, um junco lança ferro no porto de Ternate, uma das ilhas das especiarias. Também chamadas de Malucas (Molucas), pois incertas são ainda as suas coordenadas. O comandante árabe pede audiência ao soberano Quechil Boleif. É portador de uma carta para Serrão, o Vizir. O da pele clara, o cristão, o português… 

Há 3 anos Francisco Serrão partira de Malaca em busca das Malucas. Naufragara nas costas de Ternate. Aspirando regressar, com os seus homens pensara construir ou conquistar um barco. Mas abrandado pelos trópicos acabou por desistir da empreitada. Quechil Boleif nomeou-o Vizir e deu-lhe uma princesa como esposa. E a princesa deu-lhe três filhos, um por ano. Serrão escreveu carta ao seu amigo Fernão de Magalhães, assentado em Malaca: Vinde ter comigo, Fernão. Encontrei aqui um novo mundo, mais rico e maior do que o de Vasco da Gama… 

Em 1509 Magalhães e Serrão haviam feito amizade a bordo de um dos quatro navios da frota comandada por Lopes Sequeira, o qual tinha por missão abrir negociações com o rei de Malaca, praça que dominava todo o comércio do Oriente. O sultão abriu as portas da cidade à marinhagem. Magalhães pressentiu a cilada e avisou Lopes Sequeira. Este reagiu, abriu caminho a tiros de bombarda por entre as barcaças malaias que cercavam a sua frota. Em tempo, pois já começava a matança de portugueses, gritos e correrias pelas ruas da cidade. Magalhães remou para terra e juntou a sua espada à de Serrão, deu-lhe fuga no seu escaler, amizade confirmada. A frota fez-se ao largo, desaire. Dois anos mais tarde o revide: Afonso de Albuquerque conquista Malaca. Entre os guerreiros, Magalhães e Serrão. 

Só em 1515 chega a Ternate resposta de Magalhães. Remetida de Lisboa, não de Malaca: Irei a Ternate, mas não pelo caminho usual… Serrão dobra a carta. Saudades muitas. Do amigo, também da língua natal…


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