Hugo Chávez foi sem dúvida quem, nos tempos mais recentes, deu o exemplo a outros líderes de países do chamado terceiro mundo, no sentido de procurarem caminhos para os seus países divergentes dos impostos pelos EUA e seus aliados. A animosidade contra ele por parte de alguns países ocidentais e de grandes centros financeiros tinha sem dúvida alguma razão de ser. A Venezuela anteriormente era um dos países da América Latina mais fiéis ao bloco ocidental. Com Chávez no poder desde 1999, aproximou-se de Cuba e de outras nações mais refractárias ao predomínio norte-americano, e passou a dar um contributo sensível para atenuar o desequilíbrio criado pelo colapso da URSS. Desde o egípcio Nasser que não havia um líder não alinhado com tanta influência, ao mesmo tempo nacional e internacional.
A riqueza petrolífera, com o seu governo, foi posta ao serviço do povo venezuelano, conseguindo-se uma significativa melhoria das condições de vida de muitos dos mais desfavorecidos. Isso valeu a Chávez o ódio da oligarquia que anteriormente dominava o país, e controlava a comunicação social. Vários jornais e cadeias de televisão, na Venezuela e internacionais, esforçaram-se por dar uma imagem negativa da sua pessoa e do seu governo, como no caso do incidente que teve com Juan Carlos de Bourbon numa cimeira ibero-americana. A sua morte é obviamente um golpe duro na Venezuela.
A oposição, fortemente apoiada pelos EUA, Espanha e outros países, irá reclamar novas eleições num prazo curto, e procurar desestabilizar a vida política e social, para fazer aceitar os seus candidatos. A propaganda contra Chávez e as suas realizações continuará com grande força, até para evitar que o seu exemplo frutifique noutros países. Mas o seu exemplo e a sua memória perdurarão sem dúvida entre os povos da América Latina e das outras zonas do mundo, por ele ter conseguido mostrar ser possível uma via diferente das preconizadas pelos poderes imperiais tradicionais.


Muerte de un gran hombre, de un político del pueblo, que la burguesía mezquina odiaba y que dignificó a su pueblo y a América Latina.