UM GOLFINHO – por Fernando Correia da Silva

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Ó Joaquim Lopes: és filho de pescador, nasceste nos finais do sec. XVIII, à beira-mar, no Algarve, em Olhão. Vais à escola, aprendes a ler, a escrever e a contar, mas aos dez anos já estás a ajudar o teu pai na faina da pesca e logo começas a tratar o mar por tu. Trepas ao mastro, ferras a vela, lanças e puxas as redes, limpas e lavas o convés, manejas remo e croque, mas o que mais impressiona os outros pescadores é a tua assombrosa forma de nadar, pareces um golfinho a brincar por entre as ondas.

 Na tua família o dinheiro é escasso. Por isso, aos 19 anos, com a benção dos teus pais, emigras para Gibraltar, em busca de melhor sorte. Mas não suportas o novo ambiente e, 11 meses depois, tornas a casa. Melhor dizendo: tornas à cabana dos teus pais.  

Mais uns mesitos em Quarteira (Algarve) e partes para Lisboa. Dali vais para Paço de Arcos, frente à foz do Tejo, onde vivem muitos algarvios. Seduz-te o choque permanente entre as águas fluviais a abrirem passagem para o mar alto e as do oceano a quererem assaltar o leito do rio… Consegues emprego como remador na falua do Bugio. Pouco tempo depois, já és o glorioso Patrão Lopes, o homem dos salvamentos em cadeia.. Consagração, de ti até fizeram uma estátua… Era de esperar, quando miúdo já parecias um golfinho a brincar por entre as ondas

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