Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Uma lição sobre equilíbrio orçamental e a República de Weimar
Fabius Maximus
Parte I
Introdução: Esta é uma outra opinião especulativa de uma série delas. O procedimento normal no site Fabius Maximus para esses tópicos seriam de 3 mil palavra, apoiados por dezenas de links. Eu não tive tempo para o acabar e muitas das afirmações resultam de coisas arquivadas como rascunhos nos meus ficheiros. Talvez estas notas possam vir a estimular o debate de uma forma útil e levem a que os nosso leitores possam efectuar alguma pesquisa sobre o tema a partir destes pequenos apontamentos.
Síntese
- Introdução
- Brad Delong sobre o fim da República de Weimar
- Para mais informação e para continuar
(1) Introdução
Se a economia não recupera de imediato , eu acredito que esta vai cair noutra fase recessiva. No terceiro ano de recessão, as reservas estão a ser drenadas e em todos os níveis , famílias, empresas e governos — para uma outra recessão que pode bem vir a ser pior do que a primeira. Nesse cenário, os membros do Partido Democrata no Congresso vão ~ter de enfrentar uma dura escolha: passar a outro programa de grandes estímulos em Março ou Abril ou então enfrentar a derrota eleitoral em Novembro.
Menos óbvio é o perigo do Partido Republicano. A sua estratégia de “quanto pior, melhor’ (ver here) parece provável ganhar, fazendo acreditar que “ a política de relançamento não funcionou “. Mas o que é eles fazem se tiverem sucesso eleitoral ? A República de Weimar fornece um exemplo que bem merece a nossa atenção. Um orçamento equilibrado pode destruir uma nação. A mudança para o lado dos Republicanos não significa que seja necessariamente melhor. A esperança não é suficiente. Como se provou com a República de Weimar.
(3) Brad Delong e o fim da República de Weimar
Quando os economistas falam de economia liquidacionista, isso significa que eles geralmente estão a falar dos dois primeiros anos da administração Hoover.
Sob a ideia de Andrew Mellon, um dos maiores especialistas da época, o governo pouco fez para conter a deflagração sem precedentes do que veio a ser a Grande Depressão. Sendo verdade, isto não é o exemplo mais forte.
O mito levou a que seja comumente aceite que foi a hiper-inflação na Alemanha que destruiu a República de Weimar e que levou Hitler ao poder. Enquanto a hiper-inflação enfraqueceu as suas bases sociais, esta tinha sido eliminada em Novembro de 1923 — o mesmo mês em que se deu o putsch nazi, Beer Hall Putsch, e em que Hitler e o seu grupo tentaram a tomada de poder a partir de Munique. Em 1928 a montanha pariu um rato e nas eleições havidas os nazis obtiveram apenas 2,6% dos votos nas eleições de Maio, tendo ficado em nono lugar. A depressão e a adopção de políticas liquidacionistas na República de Weimar deram depois a Hitler a sua oportunidade .
Excerto de “Nazis and Soviets“, Capítulo 15 de Slouching Towards Utopia?: The Economic History of the Twentieth Century, Fevereiro de 1997:
“Tudo isso mudou com a Grande Depressão. Nas eleições de Março de 1930 os comunistas obtiveram 13,8% dos votos; os nazis obtiveram 19,2% dos votos. Uma vez que nem o comunista Ernest Thaelmann nem o nazi Adolf Hitler estavam interessados em qualquer outra coisa que não fosse abater a República de Weimar, um governo poderia ter tido o apoio de uma maioria parlamentar apenas com o apoio activo e a cooperação dos Social-Democratas, o Centro, e os partidos representativos da direita parlamentar .
E aqui a Grande Depressão fez que uma tal “grande coligação” se tornasse impossível. Os sociais-democratas exigiam uma expansão do Estado de bem-estar social, ou seja, de Estado providência: seguro de desemprego, obras públicas e grandes défices para reduzir o impacto da Grande Depressão. Os partidos da direita parlamentar, erradamente exigiram a ortodoxia financeira: equilibrar o orçamento, cortar nas despesas públicas e restaurar a confiança nos partidos não-socialistas. Nenhum bloco pensou que podia comprometer-.se com um qualquer outro bloco e ainda sobreviver como um movimento político. Então a formação de um governo a partir do Parlamento tornou-se impossível.
As eleições que se seguiram, na procura de uma maioria parlamentar viável, só piorou as coisas. Os nazis ganharam então 38,4% dos votos nas eleições de Julho de 1932. Os comunistas e os nazis, juntos, tinham a maioria: nenhuma maioria parlamentar era pois possível . A Constituição alemã ofereceu então uma saída: se nenhuma maioria parlamentar poderia ser criada o Chanceler poderia pedir ao Presidente – ele próprio directamente eleito por sete anos – para governar por decreto .
Heinrich Bruening, o líder do partido do Centro Católico que se tinha tornado Chanceler quando os Social-Democratas e os partidos da direita parlamentar caíram em Março de 1930 sob a pressão da Grande Depressão, tinha sido escolhido como Chanceler pelo já velho Presidente da República de Weimar, o herói de guerra. Bruening procurou utilizar essa válvula de escape para fazer passar uma política de austeridade orçamental e de importantes cortes ao nível do Estado Providência em vigor. Porque, como ele prometeu a Hindenburg, Bruening tentava “a qualquer preço tornar o governo financeiramente seguro”: equilibrando o orçamento – e tranquilizando os investidores assegurando-lhes que a Alemanha estava empenhada em aplicar a ortodoxia financeira- e isto era a primeira e quase que a única prioridade de Bruening.
