Posso ouvir sem escutar nada, mas não posso escutar sem ouvir. Escutar ativamente é um processo complicado e quando é bem feito, melhora como é evidente e muito a eficácia da comunicação. Apesar disso, conta-se que uma empresa de formação organizou dois cursos: Um para ensinar a falar e outro para ensinar a escutar. O primeiro estava sempre cheio de participantes e realizou-se várias vezes. Porém o que ensinava a escutar nunca funcionou por falta de interessados.
Apesar de se dizer que quem fala semeia e quem escuta colhe, muitos preferem aprender a falar e poucos a escutar. Provavelmente porque de um modo geral se considera que escutar é um processo simples e com o qual não vale a pena perder tempo.
No entanto escutar ativamente não é um processo fácil. Não acredita? Então experimente. Pode reunir a família ou um grupo de amigos e proponha-lhe que falem sobre um tema. Não interessa o assunto, mas siga as regras que lhe vou dizer: Depois de escolhido o tema e após a primeira pessoa falar, a que intervier a seguir terá de fazer um resumo do que foi dito antes de começar a expor a sua opinião. Quem falar a seguir deve resumir o que a anterior disse e assim sucessivamente. Vai ver quanto é difícil as pessoas fazerem um resumo do que a anterior disse
Ao aperceber-se da dificuldade, em interpretar o que os outros dizem passará certamente a relacionar-se com os outros de modo diferente. A melhor forma de o fazer é reformular com as suas próprias palavras o que o interlocutor disse. A resposta que ele der, permitir-lhe-á aperceber- se ele se sente compreendido ou não.
Procedendo dessa forma estará certamente a melhorar a eficácia da comunicação. Convém não esquecer de que por norma quem escuta, tem mais possibilidades de ser escutado. Pois quando o interlocutor não se sente escutado e em vez disso é confrontado com juízos de valor, também não procura escutar, mas rebater o ponto de vista do outro e defender o seu com cada vez mais enfase, é o chamado diálogo de surdos!
