A visita de Obama a Israel e à Palestina não trouxe nada de novo. Não houve progressos, e embora o Secretário de estado John Kerry tenha ficado na região, presumivelmente a tentar a continuação das negociações, não será excessivo concluir que, mais uma vez, tudo vai ficar na mesma, melhor dito, cada vez pior. Obama não conseguiu que se suspendesse o avanço dos colonatos, e assim, vai continuar a expulsão dos palestinianos das suas terras.
O caso dos palestinianos é talvez o mais grave, em termos de opressão e destruição de um povo, no mundo actual. Não é o único. Veja-se o que se passa, por exemplo, aqui perto de nós, no Sahara Ocidental, onde os saharauis estão, também eles, a ser lentamente esmagados pelo expansionismo de Marrocos. E noutros lados, na América, na Ásia, na África, na Oceânia e na Europa, existem povos cuja identidade, cujo futuro é problemático. Muitos olham com indiferença estes assuntos, pensando que todos temos que fazer opções, e esquecem que essas opções não são iguais, não têm o mesmo peso para todos. Numa situação de grande pressão como a que estão sujeitos os palestinianos, os saharauis, os índios brasileiros ou norte-americanos, os bascos, os catalães, os galegos e muitos outros, as opções individuais tornam-se muito mais difíceis, as reacções pessoais mais complexas e mais violentas. Nalguns casos é a sobrevivência como individualidade política e cultural, noutros é a própria sobrevivência pessoal. Em todos, há um pesado sentimento de perda.
A prioridade terá de ser dada aos mais desarmados. A posição oficial portuguesa perante a Palestina parece ultimamente ter evoluído num sentido mais favorável aos palestinianos. Será de a reforçar, denunciando a violência e opressão a que estão sujeitos, e procurando assegurar os meios para a sua defesa e subsistência, enfrentando a poderosa máquina de propaganda que contra eles se movimenta.

