O PATO ALGEMADO – XXIX – por Sérgio Madeira

Imagem2O Pato lá anda por Bruxelas ao serviço do Professor Júlio Marques Mota.
Nós estamos a preparar um curso intensivo e acelerado na área das Ciências Humanas – um Curso de Protagonismo. O protagonismo é um atributo essencial na corrida para o sucesso. Curso acelerado, protagonismo, sucesso… Quem melhor do que o ministro Miguel Relvas para nos servir de modelo? Vejam só esta intervenção sua  no chamado ” Clube dos Pensadores”

É aquilo a que se pode chamar protagonismo em estado puro – nunca perde o pé – interrompem-no com «Grândola, Vila morena»?  Pois RelvasImagem1, com um aprumo que faria inveja  a qualquer bêbedo, junta-se ao coro. O director do Clube também nos faria jeito como docente de uma cadeira de Introdução à Linguística – «Tá calada! Tá calada!» . Não se compreende como convidou Imagem2pessoas tão desinteressantes como o Professor Francisco Louçã. Agora, Miguel Relvas, Alberto João Jardim, Belmiro de Azevedo… Assim está bem! Aquilo é que são pensamentos e pensadores. Platão ficaria roído de inveja. Estamos mesmo a pensar instituir um Prémio «o Pensador». Até já temos três protótipos. Um, à direita, muito sem graça, um à esquerda, demasido literal, e o outro em baixo, o nosso preferido pela sua elevação.

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O ESTRANHO CASO DO PASTOR ALEMÃO – Janelas, o travesti

Uma chuva miúda e persistente, seguira-se ao grande aguaceiro matinal.

Quando o Inspector Pais, o agente Esteves, o médico legista e Filipe chegaram junto do escritório da Rua dos Correeiros, um pequeno grupo estava junto da porta do prédio. Dois guardas da PSP vedavam a entrada a eventuais mirones. Surpresa: Marília, com a borbulhagem vermelha como semáforos, dava uma entrevista para a TVI, Uma jornalista jovem e desembaraçada, fazia perguntas a que Marília respondia. um repórter de câmara com ar desmazelado, barbudo e de cabelos encharcados, gravava a cena. O Pais rosnou:

– Só faltava mais esta! – bateu palmas – A conferência de imprensa acabou!

A rapariga com o repórter de câmara, logo avançaram para o inspector:

– Podemos saber quem é o senhor? – e ia fazer outra pergunta encadeada na primeira, quando o Pais, pondo a mão frente da objectiva respondeu:

– Não! – e para o subalterno – Ó Esteves identifique estes dois caramelos, apreenda a traquitana – sacudiu a câmara – e deixe-os ir embora, no caso de  se portarem bem!

A rapariga estava furiosa:

– Não sei  quem é o senhor, mas lembro-lhe o artigo  37º da Constituição…

 – Menina, acalme-se e responda aqui ao senhor agente. Eu sei a Constituição de cor. A menina, conhece o  nº 2 do artigo 29?

– Não estou lembrada…

– Pois então eu lembro-lho. Diz assim: «O disposto no número anterior não impede a punição, nos limites da lei interna, por acção ou omissão que no momento da sua prática seja considerada criminosa segundo os princípios gerais de direito internacional comummente reconhecidos.».

– Mas o artigo 29 é anterior ao 37º…

– Não me venha com pormenores – virou-lhe as costas e foi na direcção da entrada. Voltou-se e rematou:

– Mas mais importante do que isso, é o imprinting e o Pralim VI.

– Não sei…

– Claro que não sabe. O que é que a menina sabe?

– Sou licenciada em Comunicação Social pela…

– Não foi isso que eu perguntei. Perguntei-lhe o que sabia e não que diplomas tinha.

– …

– Logo vi. Não sabe nada. Aqui o Dr. Marlove – apontou Filipe – é que lhe podia explicar essa teoria do sábio australiano, o cientista dos gansos, um enólogo… tudo passado na antiga Brabilónia… Não está ao alcance de todos.

A jovem jornalista, desanimada, encolheu os ombros e fez sinal ao repórter da câmara. iam a dirigir-se para o carro que tinham deixado mal estacionado, ocupando o estreito passeio. Esteves, assessorado pelos dois guardas da PSP, barrou-lhes o caminho.

– As vossas identificações, por favor..

Quando o inspector, o médico, Filipe e Marília, chegaram junto da porta do escritório, a secretária accionou o botão que iluminava o patamar. Janelas, com uma cabeleira loura, de boca pintada, embora de olhos muito abertos, não podia estar mais morto.

A seguir: O travesti e a mecânica Celeste

UM CARTOON DO VASCO

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