é preciso falar-se sobre todas as coisas
a que não damos sequer um nome.
aquela espécie de angústia por exemplo
que o silêncio solitário do desamor
deixa nos ombros do peito e na cabeça do coração.
é preciso falar-se sobre algumas palavras
cheias de lâminas sem cor
que cortam sílaba a sílaba a tranquilidade da respiração.
é preciso falar-se de nós
quando caminhamos sós
pelos corredores compridos entre paredes de fumo
depois é muito provável
que cheguemos à conclusão inevitável
do fracasso que a incompreensão carrega
quando analisamos o pequeno ou grande erro
em que assenta o nosso rumo.


