Castelao (VII) – por António Gomes Marques

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(continuação de Castelao VI)

 A vontade manifestada por Castelao de regressar à sua Galiza, cumpriu-se em 28 de Junho de 1984, data coincidente com o aniversário do plebiscito que aprovou o Estatuto da Galiza, acontecimento este aproveitado pelos nacionalistas galegos que, ao manifestarem-se, acusaram as autoridades de que «os que o exilaram agora prestam-lhe honras». Neste dia e a título póstumo concede-se-lhe a Medalha de Ouro de Galiza e, em Dezembro do mesmo ano, a Junta da Galiza cria a Medalha Castelao.

Os seus restos mortais repousam no Panteão de Galegos Ilustres, no Convento de São Domingos de Bonaval, em Santiago de Compostela, não se cumprindo assim totalmente o seu desejo de vir a repousar em Pontevedra. Mas é no Museu desta cidade que está o manuscrito de «Sempre en Galiza», assim como milhares dos seus desenhos. Os seus três álbuns de guerra – Galiza Mártir, Atila en Galiza e Milicianos – são alguns dos documentos mais importantes da obra do nosso autor residentes neste Museu.

Túmulo de Castelao, no Panteão dos Galegos Ilustres
Túmulo de Castelao, no Panteão dos Galegos Ilustres

 

 

Mas o espólio de Castelao não está apenas em Pontevedra; podemos encontrar exemplares do seu espólio em vários museus, em A Corunha; no Museu Quiñones, de León; em Vigo, na Fundación Penzol, esta com sede na Casa de la Cultura de Vigo. O mesmo fora de Espanha, na Argentina, nomeadamente, assim como em várias instituições públicas e particulares e em centros de investigação exemplares do seu espólio podem ver-se. A CaixaVigo tem dois grandes murais de Castelao.

A Junta da Galiza reconheceu a obra de Castelao como um dos bens mais destacados do património cultural galego, concedendo-lhe, o que aconteceu pela primeira vez, a máxima declaração cultural a um património intangível, a classificação de BIC – Bem de Interesse Cultural.

Para além destas honrarias, há uma outra que encheria de orgulho Castelao – a sua obra artística e literária faz parte do ensino obrigatório na Galiza!

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

  • Beauvoir, Simone de, Sob o Signo da História-1, tradução de Sérgio Milliet, Difusão Europeia do Livro, São Paulo, 1965;
  • Broué, Pierre e Témime, Émile, A Revolução e a Guerra de Espanha, tradução de Mendes de Carvalho e Carmen Ferreira Alves, edição dos Serviços Sociais dos Trabalhadores da C. G. D., Lx., Dezembro de 1976;
  • Castelao, Obra Completa, 1. Narrativa e Teatro, Ediciones Akal, S. A., 2000, 2001, Madrid
  • Castelao, Obras de Castelao–3, Editorial Galaxia, S. A., 2000, Coordenação Geral de Henrique Monteagudo, com introdução ao tomo III de Justo Beramendi;
  • Gilbert, Martin, A Segunda Guerra Mundial, tradução de Ana Luísa Faria e Miguel Serras Pereira, Publicações D. Quixote, Lx. 2009;
  • Na Galipedia, a Wikipedia en galego;
  • Vilar, Pierre, História de Espanha, Livros Horizonte, Lx, s/d;

 

 

Brevemente:

 

Uma Carta a Oliveira Salazar

 por Alfonso R. Castelao e Ramón Suárez Picallo

2 Comments

  1. Desculpe, no ensino obrigatório da Galiza Norte pouco do professorado e menos ainda do alunado sabe qualquer cousa sobre Castelão. Não é certo que seja pessoa honrada pelo governo galego nem que o facto de estar em Bonaval lhe conceda qualquer prestígio. A verdade é que a sua memória é deshonrada cada ano quando sob pretexto do seu nome se concedem “medalhas Castelão” a indivíduos abjectos e corruptos aos que Castelão cuspiria no rosto se pudesse. Não, caro amigo da Galiza, Castelão não é honrado pelas autoridades aqui, nem pelo sistema de ensino, porque nem as autoridades nem o sistema de ensino honram a Galiza.

  2. Cara Isabel
    Reproduzi a informação que colhi, quanto ao ensino da obra artística e literária de Castelão na Galiza, mas agora ficam os leitores com uma informação mais actualizada graças à Isabel.
    O meu principal objectivo foi dar a conhecer aos portugueses a figura exemplar de Castelao e, ao mesmo tempo, mostrar que a luta dos galegos contra o centralismo de Castela tem sido bem mais dura do que se julga em Portugal. Será que consegui?
    Penso, brevemente, falar de outro grande autor galego.

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