POESIA AO AMANHECER – 174 – por Manuel Simões

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TOMÁS ANTÓNIO GONZAGA

(1744 – 1819)

MINHA BELA MARÍLIA, TUDO PASSA”

Minha bela Marília, tudo passa;

a sorte deste mundo é mal segura;

se vem depois dos males a ventura,

vem depois dos prazeres a desgraça.

Estão os mesmos deuses

sujeitos ao poder do ímpio fado:

Apolo já fugiu do céu brilhante,

já foi pastor de gado.

(…)

Ah! enquanto os destinos impiedosos

não voltam contra nós a face irada,

façamos, sim, façamos, doce amada,

os nossos breves dias mais ditosos.

Um coração, que, frouxo,

a grata posse de seu bem difere,

a si, Marília, a si próprio rouba,

e a si próprio fere.

(De “Lira 14”, “Marília de Dirceu”)

Nasceu no Porto mas cedo se transferiu para o Brasil, onde se distinguiu por ter participado da “Inconfidência Mineira”, tendo sido preso e degredado. As suas “liras” tornaram-no o mais popular e admirado sob o signo do amor e da perseguição. A sua poesia demonstra já uma grande desenvoltura rítmica, como neste exemplo, em que é patente o tema da mudança inspirado por um certo epicurismo horaciano.

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