Até 1925, os modelos da Ford só estavam disponíveis na cor preta – uma questão técnica e económica assim o determinava – a tinta preta tinha uma secagem mais rápida e isso reflectia-se no preço final. Daí surgiu a famosa frase atribuída a Henry Ford: “Os clientes podem escolher qualquer cor – desde que seja preto”. Na chamada «democracia representativa», sistema eleitoral de uma grande parte dos estados ocidentais, a possibilidade de escolha dos eleitores, resume-se na prática a dois partidos. Teoricamente, o leque político é muito vasto, mas as possibilidades reais de ter maioria parlamentar e formar governo, concentram-se em duas formações políticas. Os eleitores, são condicionados pelo marketing político a votar num ou noutro – os outros partidos não têm possibilidades, diz-se, e votar neles é inútil – «para quê votar em quem não vai ganhar?» – ouve-se com frequência.
A morte de José Luis Sampedro na passada segunda-feira levou a que se falasse de um humanista que não teve a divulgação que a limpidez do seu pensamento justificava. José Saramago definiu com rigor a actividade intelectual desse grande escritor e economista catalão (que escrevia em castelhano) quando disse que ele fizera da reflexão uma forma de vida. Uma frase de José Luis Sampedro demonstra o artifício da a democracia representativa – dizia ele que o importante é o pensamento, já que a liberdade de expressão só interessa se veicular pensamentos genuínos. Se essa liberdade se exerce com base em pensamentos induzidos pelo marketing político, a liberdade de expressão é tão válida como a Censura.
Em Portugal, a ausência de pensamento, levou-nos durante 50 anos a aceitar uma ditadura fascista e leva agora pessoas inteligentes a aceitar como normais todas as anormalidades que transformam a nossa democracia representativa num novo fascismo – ou seja, numa oligarquia em que dando aos cidadãos o direito de escolher o faz segundo o célebre axioma de Hnry Ford, podemos escolher o governo que quisermos, desde que escolhamos entre a pior gente do PS ou do PSD, os empregados dos grandes grupos económicos e dos interesses do grande capital.
A permissividae do sistema, possibilita que os inimigos da democracia, mas invocando as «regras do jogo democrático» anulem a própria essência da democracia – a liberdade de pensamento. Aí temos o resultado – um bamdo de que até Salazar se envergonharia, ocupa as cadeiras do poder.
Porém, às vezes, as cadeiras caem. Já tem acontecido.
