EDITORIAL – A política é um “reality show” ou uma “sitcom”?

Imagem2Hoje, 16 de Abril, completam-se 124 anos sobre o nascimento de Charles Chaplin, o grande Charlot, pois nasceu em 16 de Abril de 1889. Tinha uma cultura, uma seriedade e uma postura ética que os políticos, primeiros-ministros ou não, raramente possuem. Homem de fortes convicções ideológicas e consciente dos seus direitos cívicos, nunca aspirou a cargos políticos. Sempre quis ser um clown. E foi um grande actor, realizador, compositor e o maior clown de sempre.

Quando há uns tempos, vai para três anos, a professora Bruna de Mirandela posou nua para a Playboy, houve algum escândalo. Os pais dos alunos entendiam que, após o incidente, ela não teria condições para continuar a exercer as suas funções docentes. Digamos que não era decente. Não sabemos se a professora Bruna ficou em Mirandela ou se foi transferida. Para a comunidade, uma professora não pode ser ao mesmo tempo uma pin up.

Há um ano, aconteceu em Espanha um caso que escandalizou a classe política – uma autarca, vereadora de  Yébenes, um município de Toledo, gravou um vídeo erótico para o marido, vídeo que circulou na net. Tornadas públicas as imagens em que a ex-vereadora, se masturbava, estalou o escândalo e teve de se demitir. Agora, novo escândalo – posou nua para a revista Interviú e diz «com o meu corpo faço o que quero». Claro que tem razão. Tal como a professora Bruna, também tinha o direito de posar nua para a Playboy. Mas a comunidade política entende que uma autarca, mesmo já não estando em exercício, não pode ser actriz pornográfica.

Porém, toda a gente parece achar normal que ex-ministros se convertam em comentadores televisivos – Marcelo Rebelo de Sousa, José Sócrates, Morais Sarmento, não têm o impacto de uma capa da Playboy ou de um vídeo  erótico. Mas obedecem exactamente ao mesmo conceito que mistura a política com o espectáculo e a submete às regras do mediatismo. Passos Coelho passou por um casting de Filipe La Féria, salvo erro, para o My Fair Lady. E estava casado com uma das famosas Doce. Ou seja, tudo se encaminhava para que, da Jota, saltasse para o palco – a culpa de tudo o que nos está a acontecer é do Filipe La Féria – quem o mandou não aceitar o Passos Coelho?

Quem sabe se não se perdeu um actor que, mesmo que medíocre, não faria tanto mal ao País?…

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