SAIU O “REFERENCIAL” Nº 109 – TEMPOS DIFÍCEIS* – por Pedro de Pezarat Correia

*O general Pedro de Pezarat Correia, além de argonauta, é o director do  REFERENCIAL, boletim da Associação 25 de Abril. Transcrevemos o seu editorial do número 109 com autorização expressa da A25

ESTA EDIÇÃO DE O REFERENCIAL é já resposta à dinâmica que pretendemos ver introduzida com a constituição do Conselho Editorial e pelo impulso da sua reunião do passado dia 20 de Setembro de 2012, de que o nosso número 107 de Julho- Setembro se fez eco. Na linha das sugestões aí avançadas sobre problemas específicos que deveriam ser evidenciados tematicamente em cada edição, seleccionámos, pela sua importância e óbvia actualidade, quer no quadro nacional quer no da União Europeia, o desemprego. Não entendemos o desemprego como uma fatalidade mas como o resultado perverso de uma lógica e de opções que radicam na globalização e no neoliberalismo socioeconómico que lhe é inerente. E encaramos como fria hipocrisia as lágrimas de crocodilo que os responsáveis e ideólogos neoliberais vertem pelo desemprego, enquanto fazem a apologia e impõem uma política de baixos salários, sabendo-se que o desemprego é, exactamente, um instrumento decisivo de uma política de baixos salários.

 Foi um membro do Conselho Editorial, a socióloga e professor Maria José Casanova, que se encarregou de convidar o seu colega professor Eduardo Vítor Rodrigues para nos privilegiar com um valioso trabalho que nos obrigará a pensar acerca do que nos trouxe a índices que, numa década, passaram do limite mínimo do desemprego técnico (3,9%) para a mais elevada taxa de desemprego de sempre (17,5%), produto de uma desregulação das relações laborais sempre em desfavor do factor trabalho, cada vez mais precário, mais frágil, mais barato.

Esta chaga é uma marca determinante de um sistema político- económico-social que agrava e alarga distorções e injustiças, a globalização neoliberal.

Foi ainda um membro do Conselho Editorial, mas este também presidente da A25A, que mais uma vez se disponibilizou para dinamizar e coordenar o caderno com que, em O Referencial, quisemos evocar e prestar homenagem ao nosso já saudoso António Marques Júnior. A sua morte apanhou-nos de surpresa a encerrar a anterior edição, mas ainda a tempo de registar nas sua páginas palavras significativas da cerimónia fúnebre e de deixar o compromisso de neste número lhe conferir o merecido relevo. O Homem, o cidadão, o militar, o político, o amigo, o familiar, é enaltecido nestas páginas com as palavras justas, que, em todas as facetas bem caracterizam o carácter do capitão de Abril, título com que entra e permanecerá na história. E, por isso, a última Assembleia Geral da A25A já o elegeu seu Sócio de Honra. Neste mês de Abril do ano 39 começa a ser dolorosamente pesado o número dos que nos fazem falta para a luta que, nos tempos difíceis que atravessamos, se impõe continuar a travar pelos ideais de Abril.

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