EDITORIAL: MAIS UMAS VERDADES INCONVENIENTES

Diário de Bordo - II

A verdade é uma coisa muito chata. Primeiro, muitas vezes é difícil conhecê-la. Depois, também custa aceitá-la. Mesmo depois  de a termos percebido, por vezes custa sobretudo aceitá-la.  Estamos agora a chegar a uma situação destas em relação à Alemanha.  A Europa é inviável por causa da Alemanha. Trata-se de uma afirmação pesada, mas que está a começar a aparecer como irrefutável. A Alemanha é um país demasiado grande, tem  uma concepção nacional demasiado forte e autocentrada e não aceita tratar com os outros países em pé de igualdade. Esta questão põe-se não só em relação á zona euro, como também em relação a todos os problemas europeus.

O financeiro (grande financeiro e especulador!) Georges Soros diz: “A crise do euro transformou a União Europeia numa associação voluntária entre Estados iguais numa relação entre credor e devedor. E em situação de crise, os credores ditam o fim da relação, que leva a que os devedores fiquem sempre numa pior situação. E isso condena a União Europeia a um futuro muito sombrio”. Recomenda que a Alemanha saia do euro, e que este continue sem ela. Claro que há aqui um problema. A Alemanha nunca aceitará tal solução. E seria preciso que nos restantes nos restantes países europeus aparecessem estadistas capazes de enfrentar os problemas, que não andem ao beija-mão, como tem sido o caso dos nossos líderes (?) Passos/Portas/Gaspar (e também será o de Hollande, e de outros, que falam muito, mas na prática mostram um incapacidade aflitiva).

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/alemanha-tem-que-decidir-se-quer-sair-do-euro-diz-george-soros=f800356

Na Alemanha parece que está em formação um partido novo, que afirma ser contra o euro, porque está a destruir a Europa.  24% dos alemães estariam dispostos a votar no novo partido, assim de repente. Isto pouco quer dizer, por si só. E os problemas da Europa não se limitam ao euro. Veja-se o que passou em relação á adesão da Turquia. Merkel e Barroso foram buscar a matriz cristã da Europa (eles é que foram buscar, não o humilde editorialista de A Viagem dos Argonautas) para afastar os turcos. Não falaram da Sublime Porta. Mas qualquer dia começam a falar abertamente em cruzadas. Em privado, já falam, com certeza. Vejam o Hollande a pôr tropas no Mali e impaciente para intervir na Síria. E a Líbia, o Iraque, o Afeganistão… mas nesse caminho irão copiar os americanos, que já vão muito à frente.

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