EDITORIAL: OS BONS PROFISSIONAIS

Diário de Bordo - II

 

Ontem e anteontem publicámos  em A Viagem dos Argonautas um texto de Fabius Maximus, Another More Comforting, Less Scary Way to Look at the National Debt, que nos diz coisas extremamente importantes.  Uma delas é uma interrogação que nos deixa: “porque é que as nações por vezes por vezes adoptam políticas obviamente condenadas ao fracasso?”, outra é que nós devemos a dívida pública (passe a expressão) , não a nós mesmos mas a pessoas extremamente importantes, e ainda outra é sobre os economistas, sobre os quais diz taxativamente: “Os economistas foram, são, e provavelmente é sempre assim, as ferramentas dos que constituem os 1%. Os economistas são os seus criados”.

Está resumida assim a maneira como Portugal e outros países chegaram à presente situação. Faltam sem dúvida incluir na análise vários aspectos importantes, que precisam de explicação adicional, como as rivalidades entre as nações, o peso maior ou menor destas no contexto internacional, a importância dos serviços públicos na vida de cada uma, as estruturas sociais obsoletas (como é o caso gritante em Portugal). Contudo o esquema permite analisar razoavelmente o que se tem passado na história recente.

A frase sobre os economistas é sem dúvida cruel, e injusta para muitos deles. Contudo é verdade que têm estado economistas, quer como decisores directos, quer como ideólogos (professores, comentadores), na base das actuais políticas neoliberais, que mergulharam países e continentes na recessão, e fizerem empobrecer grandes camadas da população, enquanto algumas minorias progridem em riqueza e poderio. Isso é um facto incontestável. Alguns economistas dirão: não é só ao nosso grupo profissional que se devem fazer essas observações, há outros que também exercem funções estratégicas na sociedade, e que também apresentam comportamentos e problemáticas similares. É verdade. Veja-se por exemplo a comunicação social, cuja domesticação pelos grandes grupos económicos tem sido notória nos últimos vinte anos. Alguns órgãos informativos parecem ter procurado passar sem jornalistas. O sucesso de Wikileaks é explicado por muitos pelo recuo que tem havido no jornalismo de investigação. Cada vez mais os bons profissionais, nos diferentes campos, têm de lutar contra os poderes em geral, não apenas contra o poder estritamente político, cuja existência aliás será duvidosa.

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