O PATO ALGEMADO – XXXIV – por Sérgio Madeira

Imagem2«Isto assim não pode ser!»

O Pato convoca uma reunião de emergência – quer pôr ordem na rubrica. E para tal, desloca-se a Lisboa. Quem está presente? O Pato, claro, o Inspector Pais, o investigador Filipe Marlove, o Professor Júlio Marques Mota, Sérgio Madeira e, na qualidade de secretária, a borbulhenta Marília. A reunião tem lugar no acanhado gabinete de Filipe na Rua dos Correeiros. No patamar da escada, o agente Esteves monta a segurança, auxiliado por dois outros elementos da Judiciária.

– Isto assim não pode ser – diz o Pato em jeito de abertura.

– O que é que não pode ser? – O inspector Pais está irritado – Então, agora andamos às ordens de um pato? Um galináceo é que decide o que pode e o que não pode ser?

– Um galináceo?  Refere-se a mim, senhor inspector? – Olhe que eu sou um anseriforme, da família dos anatídeos…

– Mas comes milho painço… – diz o Professor com um sorriso de  troça.

O Pato fica engasgado pela ira:

– Nunca! Nunca comi milho painço!

Madeira intervém:

– Bem, o que é que tens para nos dizer? O que é que não pode ser?

– Esta rubrica está numa baralhada terrível …

– Eu é que sou o autor – diz Madeira – eu é que decido o que pode ou não pode ser.

O Pato resmunga:

– O autor… o autor… Está bem, é o senhor que engendra esta balbúrdia. Mas  a rubrica tem o meu nome. Se isto não melhora, exijo que mudem a designação.

– Talvez , «O Pato de penas engalanado»… – alvitra o Professor.

– Ó Filipe – diz o Pais – Aplique-lhes o discurso do Palim Sexto e do cientista australiano…  Aquela treta do Emprintingue .

– Imprinting – corrige Filipe.

– Foi o que eu disse – E volta-se para a assembleia – Meus senhores e minha senhora – Por baixo da realidade aparente, está a realidade, a verdadeira realidade. É o Pralim Sexto…

– Palimpsesto!

– Foi o que eu disse… – o Pato interrompeu-o:

– E o que tem isso a ver com o problema da balbúrdia?

– Sei lá!  O Professor e o Madeira que expliquem. Eu apenas sou uma personagem.

– E o Pato apenas é uma personagem com penas – gracejou o Professor.

O Sérgio Madeira, tossiu, e pediu a palavra:

– Vamos então esclarecer tudo… – o Pais interrompeu-o com um berro:

– Ó  Esteves, venha cá!

Passados uns segundos o agente abriu a porta envidraçada:

– Chamou, senhor inspector?

– Ó Esteves, mande aí um dos seus subordinados, comprar uns pastéis de bacalhau.

– Quantos?

O inspector voltou-se para o Madeira:

– Isto vai demorar?

– Não. Vamos despachar-nos depressa.

– Ainda bem – para os circunstantes perguntou – Ninguém é servido, pois não? – perante o silêncio, decidiu – Traga só uma dúzia.

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