Pentacórdio para Quinta-feira, 25 de Abril

por Rui Oliveira

   A par das diversas manifestações que seguramente  a singularidade do dia despertará, em particular no período de impasse político e económico que atravessamos, nesta Quinta-feira, 25 de Abril é ainda possível encontrar espaços de fruição cultural, sobretudo no campo da música.

osmsicosdotejojpg   Assim, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h, “Os Músicos do Tejo”, (foto ao lado) sob a direcção do maestro Marcos Magalhães e o Coro e Orquestra Gulbenkian dirigidos pelo maestro Pedro Neves apresentam, num espectáculo com encenação de Luca Aprea, direcção artística de António Lagarto e desenho de luz de Daniel Worm D’Assumpção, as seguintes duas obras, legendadas em português :

      Into the Little Hill  de George Benjamin (com a participação de Hila Plitmann soprano (foto dir)

                                                                                                                     e Hilary Summers contralto

      Dido e Eneias  de Henry Purcell  (com a participação de Catherine Hopper meio-soprano (foto esq.),

                                                                  Job Arantes Tomé baritone, Hilary Summers contralto,

                                                                  Joana Seara soprano e Carla Caramujo soprano)

   Este espectáculo repete-se na Sexta-feira, 26 de Abril, às 19h também no Grande Auditório.

hila plitman00000148_0010   Na folha de sala esclarece-se que “Os Músicos do Tejo” terão optado por centrar a sua versão do tema da antiguidade grega “no gosto pelo grotesco e num certo distanciamento irónico face aos deuses e mitos europeus, características marcadamente inglesas” que se identificam na obra do compositor britânico Henry Purcell, quando este se foi inspirar, para criar uma das óperas mais interpretadas de sempre, na trágica história de amor entre Dido, rainha de Cartago, e o troiano Eneias.

   Entretanto, mais de trezentos anos depois, George Benjamin escreveu “Into the Little Hill”, uma ópera perturbadora  pelas suas múltiplas leituras políticas e sociais (e pedra angular do repertório britânico contemporâneo), inspirada na fábula do flautista de Hamelin com alusão velada à perseguição judaica.

   Mostramos aqui o Prelúdio das Bruxas (em que intervem Hilary Summers) de “Dido e Eneias” de Purcell pela Orquestra “Les Arts Florissants” (dir. William Christie) :

 

   Bem como o ensaio da peça de Benjamin, curiosamente com os cantores previstos para actuar em Lisboa :

 

 
                    Savka Konjikusic 4Jérôme Arnouf trompaJorge Camacho - 09-12-10AN07

   Na tarde desta Quinta-feira, 25 de Abril, às 13h, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, há um Recital de Clarinete, Trompa e Piano de entrada livre, organizado pela Orquestra Metropolitana de Lisboa em que os seus solistas Jorge Camacho clarinete, Jérôme Arnouf trompa e Savka Konjikusic piano irão interpretar de :

      Franz LisztEstudo de execução transcendental n.º 11, “Harmonies du soir”

      Franz LisztSonetto 104 del Petrarca, do livro “Années de Pèlerinage: 2.º ano / Itália”

      Maximilian HeidrichTrio para Clarinete, Trompa e Piano, op. 25

 

 

2016_585166572_amadou05_H014141_LAmadou-Mariam-Folila   Noutra área musical distinta, quem se deslocar ao Coliseu dos Recreios nesta Quinta-feira, 25 de Abril, às 21h30, poderá ouvir “Amadou e Mariam”, um duo musical do Mali, composto por Amadou Bagayoko (guitarra e voz), natural de Bamako e cego desde os 16 anos, e por Mariam Doumbia (voz), também de Bamako e cega desde os 5, os quais se encontraram na Orquestra Elipse (do Instituto de Jovens Invisuais) dirigida por Idrissa Soumaouro.

   A sua música, que alguns designam de Afro-Blues, mistura o som tradicional do Mali com guitarras de rock, violinos sírios, trompetes cubanas, o ney egípcio, as tábuas indianas, a percussão de dogon.

   Do seu ultimo álbum “Folila” retirámos este tema Wily Kataso :

 

 

 

 

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