POESIA AO AMANHECER – 187 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

ALBERTO DE OLIVEIRA

(1873 – 1940)

O MISSAL DO POENTE (fragmento)

Missal do Poente! Abro-te as folhas, uma a uma:

Páginas de oiro, de morango, cor de espuma,

Páginas cor de mar, páginas cor de auroras!

Abro-te como leio os códices antigos:

És um Santo dos meus, és um dos meus Amigos,

Meu único Evangelho, único Livro de Horas!

(…)

E que ao adormecer no derradeiro sono,

Poente! que seja com as folhas, pelo Outono,

Quando os pâmpanos têm as tintas de oiro-velho:

Quando o Sol, morto, lembra a iluminura intensa

De algum hierático missal da Renascença,

De algum medieval e precioso Evangelho!

Coimbra, 1890.

(de “Poesias”)

Segundo Óscar Lopes, foi «o primeiro doutrinário do tradicionalismo literário folclorista (…) com certas tintas decadentistas», o que se traduz por uma posição “neogarrettista”.

Neste poema, para além da referência cristã explícita, há também a referência medieval, ambas cultivadas pelos simbolistas. Os seus livros mais conhecidos: “Poesias” (1891) e “Palavras Loucas” (1894).

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