Em Novembro passado publicámos, com o título acima, um trabalho do sociólogo e filósofo alemão Ulrich Beck, traduzido pelo argonauta Júlio Marques Mota. Podem lê-lo com o link abaixo indicado:
http://aviagemdosargonautas.net/2012/11/13/angela-merkel-novo-maquiavel-por-ulrichbeck/
Há duas semanas, com certeza preocupada em não desmentir o que se diz dela, a ilustre senhora, que em Setembro vai ter eleições pela frente (parece largamente favorita), teve a seguinte saída: os membros da zona euro têm de se preparar para cederem uma parte da sua soberania a instituições europeias se quiserem ultrapassar a crise da dívida soberana e ver regressar os investidores estrangeiros.
Alguns comentadores não hesitarão em reconhecer que aqui em Portugal já não temos esta preocupação, pois Gaspar/Passos/Portas já se anteciparam aos desejos de Merkiavel (a expressão é de Ulrich Beck), e não param na senda de darem cabo de nós para facilitar a vida aos alemães. Isto já é sabido. A senhora proferiu a máxima acima referida numa sessão em que se fez o lançamento de um livro sobre ela própria, seguindo-se uma conferência sobre a Europa, em que também participou o primeiro ministro polaco, Donald Tusk. Este terá manifestado algum receio de que alguns países achassem que se lhe está a querer impor o modelo económico alemão, ao que Angela Merkel terá respondido que a Europa se compõe de economias e culturas diferentes e tem de caminhar por si própria para outras práticas e por aí fora. Declarou estar pronta a romper com o passado.
As frases sibilinas da senhora não escondem uma coisa essencial. A chefe alemã sente-se numa posição de vantagem em relação aos outros países da União Europeia, nomeadamente em relação aos que caíram na asneira de se meterem na zona euro, e tenciona manter essa vanatagem. Sabe ela demais que com que a política de austeridade, os parceiros não vão nunca conseguir o tal crescimento económico que lhes permitiria recuperar o atraso em que estão. Pelo contrário. E assim não farão concorrência à Alemanha. É certo que lhe comprarão menos produtos, como por exemplo submarinos, armamento e outras especialidades germânicas, e que agora não podem pagar. Mas assim não lhe farão concorrência nas vendas ao resto do mundo, onde a China está cada mais presente, e o Japão e os EUA esperam recuperar protagonismo, para além de ameaças de outras bandas.

