DESESPERO CENTRALISTA? – LÍNGUA CATALÃ CONSIDERADA UMA «PERVERSÃO DA LINGUAGEM». REPRESENTANTES DO POVO CATALÃO, DESIGNADOS COMO NAZIS – por Josep Vidal

Apenas alguns días após a ministra de Emprego e Segurança Social, no Parlamento espanhol e dando resposta a uma intervenção da oposição sobre “a emigração juvenil”, ter dito que a expressão correcta não é «emigração», mas sim “mobilidade exterior”, Telemadrid,  o canal televisivo da Comunidade de Madrid, nas mãos do PP e paga com dinheiros públicos, emitiu aquilo a que chamou uma “Reportagem” sobre a perversão da linguagem, identificando como nazi a reivindicação catalã do direito de os cidadãos da Catalunha decidirem o rumo do destino político da nação. Trata como nazis e terroristas os representantes políticos do povo catalão. São 30 segundos de estupidez em estado puro:

 Quem tenha um estômago à prova de bomba, um cérebro resistente á imbecilidade e uma consciência  imune à mentira néscia  e primária, poderá ver o programa completo

http://www.telemadrid.es/programas/zoom-telemadrid/la-imposicion-y-perversion-del-lenguaje

2 Comments

  1. Deve constar da legislação do “Reyno” uma coisa chamada “direito de resposta”. Cabe aos ofendidos exigi-lo, sem demora. Ainda que a imbecilidade apareça, eventualmente, disfarçada de “opinião” ou “estudo” ou algo de similar e pretensamente “científico”, “histórico” ou “sociológico” (talvez tivesse estômago para ouvir o vómito por inteiro e não tenho dúvidas sobre a minha impermeabilidade à penetração da idiotia, mas o que não tenho é paciência para perscrutar esse “enquadramento”, porque estes truques já são velhíssimos e não merecem que se perca tempo com a enésima versão deles). Por outro lado, os autores e difusores da ofensa também podem ser objecto de processo judicial (apesar de os tribunais do Reyno ainda estarem infestados de fascistas, como se provou com o caso do juiz Garzón…) E, esteja ou não “nas mãos do PP”, uma empresa de comunicação pública tem obrigações que, se lhe não são impostas pelos órgãos institucionais específicos, deverão sê-lo também por via judicial. Espero que os visados não se aquietem.
    De resto, da perspectiva da eficácia, se o que se pretendia era afastar os cidadãos das regiões em causa deste tipo de reivindicações, a experiência diz-me que o que se consegue, com tolices tão óbvias, é exactamente o resultado contrário: que as pessoas se revoltem mais facilmente – a boçalidade, nestas áreas, não convence nem os espectadores de “reality shows” – e fiquem com uma vontade acrescida de terem, p.e., órgãos de comunicação completamente independentes (e não apenas “autónomos”), que lhes garantam que não têm de ouvir estes insultos às suas ideias, muitas vezes até então pouco consciencializadas e que, com tão precioso impulso, se tornam mais bem definidas – o ataque “de fora” leva-me a aproximar-me mais fortemente do “grupo” em que me sinto, mesmo vagamente – mas confortavelmente – integrado e a nele cerrar fileiras… De facto, objectivamente (e embora tal não implique que se deixe passar em claro a intenção criminosa), trata-se de um belo serviço prestado às causas independentistas! Se eu fosse da direcção do PP (e não fosse estúpido, o que não estou certo de ser compatível), eu próprio tomaria a iniciativa de propor o despedimento, com justa causa, de todos os envolvidos na emissão!

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