UNGIDO? – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

logótipo um café na internet

 

 

Imagem1

A mim, António de Oliveira Salazar, por três vezes o Maligno tentou abater-me.

Primeira: em Janeiro de 1934 os comunistas convocaram greve geral e tentaram implantar um soviete na Marinha Grande. Foram cercados e vencidos.

Segunda: em Setembro de 1936 marinheiros comunistas rebelaram-se. Mandei que a artilharia da costa os bombardeasse e afundasse.

Terceira: em Julho de 1937, quando me dirigia para a missa, sofri um atentado à bomba mas escapei ileso. Eu bem sabia que tinham sido os anarco-sindicalistas. Mas eles já eram tão poucos, que não valia a pena mencioná-los. Acusei os comunistas. Dali para a frente, quem me atacasse passaria a ser comunista, eles é que eram o inimigo principal.

Consequências do atentado foram a comoção nacional, as mensagens de solidariedade, os cortejos, as manifestações, as missas Te Deum. Uma única vez surgi em público, a agradecer. Não me apetecia, sou avesso a estas coisas, mas lá declarei à multidão:

– Somos indestrutíveis! Porque a Providência assim o destina e na Terra vós o quereis.

Ungido de Deus? Não sei, talvez… Sei apenas que, quatro séculos antes de eu nascer, nos Painéis de S. Vicente eu já fora colocado lado a lado com o Infante de Sagres, predestinação…

(Cartoon de João Abel Manta)

Leave a Reply