Ando com a sensação de que anda tudo maluco com os exames do 4º ano. Falo destes porque são aqueles que as crianças com que mais contacto se confrontam hoje, dia 7 e no dia 10, num total de cerca de 100 mil alunos. E porque é qualquer coisa de novo. Os dos mais velhos já eram uma realidade.
Uma colega chegou no outro dia fula com o que se tinha passado no fim de semana com o seu filho, aluno do 4º ano e bom aluno. Levara como trabalhos de casa, para os dois dias, 4 fichas de exames para fazer. Criança saudável que é, despachou os testes e foi brincar, que também é “ofício” de criança. Mais ao fim da tarde foi comparar as suas respostas com as do teste e tinha uma série de coisas erradas, fruto do querer despachar-se das obrigações e não ter prestado a devida atenção. E aí desatou a chorar. E vai daí a mãe disse que ele não ira estudar mais, que era bom aluno e se ia safar bem nos testes, que não interessava ter as melhores notas, que só valia 25% da classificação final, etc, etc.
A R., menina frágil e insegura anda com pesadelos com os exames. Todos os dias treina, os pais arranjaram explicações, todos os dias se queixa de dores no estômago. O B. há meses que faz diariamente várias fichas de exame. O tempo já não chega para as coisas com que costumava brincar e relaxar, ir à natação, ver um pouco de televisão, brincar com os amigos…. Começou a andar à porrada na escola, leva recados na caderneta, os pais são chamados e ele já não sabe onde se meter. Sabemos de ambientes familiares que se “azedaram” por causa dos exames, um dos pais a dar demasiada importância, outro a considerar que tudo deve ter um peso e medida.
Este ano, os alunos que chumbarem têm a possibilidade de repetir os exames a 9 e 12 de Julho às 9h30, numa segunda fase destinada aos alunos que, após a realização das reuniões de avaliação do terceiro período, não tenham obtido aprovação ou tenham obtido classificação inferior ao nível 3, e para os que tenham faltado à primeira fase por motivos excepcionais, que têm de ser devidamente comprovados nas condições a definir no regulamento dos exames de 2013. Para estes alunos haverá um período de acompanhamento extraordinário depois do final do ano lectivo, se os pais o aceitarem.
Em relação a estes exames, muitas contestações têm vindo a público. FENPROF considera que “Não são os exames — e ainda menos nestes níveis etários — que atestam a qualidade do ensino e das aprendizagens. Pelo contrário, o contexto em que se realizam e a pressão exercida sobre as crianças poderá até distorcer negativamente a avaliação que é feita sobre as mesmas.” E ainda: “Para que estejamos perante as mesmas regras que envolviam os exames do tempo da ditadura, falta, apenas, que a circular do MEC estabeleça regras relativas à forma de vestir e calçar que as crianças tenham que observar no dia do exame”, conclui o comunicado da federação.

