Pentacórdio para Quinta-feira, 9 de Maio

por Rui Oliveira

 

  

   O leque de escolhas nesta Quinta-feira, 9 de Maio é bastante amplo, pelo que nos veremos forçados, não só a omitir eventos de menor expressão, como a ser breve na caracterização positiva daqueles que destacamos.

 

   Poderemos escolher para primeiro destaque o concerto que dará no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, o reincidente “Vijay Iyer Trio”, já presente neste palco em Outubro de 2011 com o CD “Historicity”, disco elogiadíssimo pela crítica mundial.Iyer-Trio-

   Composto por Vijay Iyer piano, Matt Brewer contrabaixo e Marcus Gilmore bateria, o Trio pratica, “em perfeita sintonia, um jazz envolvente, inovador no estilo, na textura, na forma”. Vem apresentá-lo sob a forma do seu novo álbum “Accelerando”, de 2012, «ainda mais louvado do que o anterior» pois na votação anual dos críticos de todo o mundo reunidos pela revista “Downbeat”, Vijay Iyer foi o primeiro músico da história a ganhar em cinco categorias: Artista do Ano, Pianista do Ano, Álbum do ano Vijay Iyer Trio - Accelerando(Accelerando), Compositor Emergente do Ano e, com o trio que vem à Culturgest, Melhor Grupo de Jazz do Ano.

   Citando apenas os críticos de dois jornais : “The New Yorker” disse que ele é “um dos mais importantes pianistas de hoje (…) excepcionalmente dotado (…) brilhantemente ecléctico”, o “Guardian” considerou-o “um dos mais inventivos jovens pianistas de jazz do mundo”.

   Este foi o vídeo de lançamento do novo CD (ou, como tecnicamente se diz o EPK, ou seja, o Electronic Press Kit !) :

 

 

   O leitor entusiasmado pode aqui aceder (agradecendo ao YouTube) a mais de 1 hora do concerto dado pelo “Vijay Iyer Trio” no Jazz Baltica 2011, em Julho em Salzau (Alemanha) : http://www.youtube.com/watch?v=IwFbUx0_Uto&feature=share&list=PLC59D256D882A4694 

 

 

 

   Na música “clássica”, o relevo pode ser dado nesta Quinta-feira, 9 de Maio ao início do ciclo “Shakespeare na Música” idealizado pelo maestro Lawrence Foster (foto) para assinalar a sua saída de director musical da lawrence foster 1Orquestra Gulbenkian com «uma ocasião festiva». Nele, e no decorrer de Maio,  serão revisitados os mais relevantes momentos em que a história da música se deixou influenciar e inspirar pela obra do grande dramaturgo natural de Stratford-upon-Avon em 1564.

Marianne-Crebassa-1   Assim neste “Shakespeare na música I”, o Coro Gulbenkian e a Orquestra Gulbenkian sob a direcção de Lawrence Foster, com a participação de Marianne Crebassa meio-soprano (foto), de Carlos Cardoso tenor e de Daniel Kotlinski baixo-barítono interpretarão, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h, com legendas em português (e que será repetida no mesmo local na Sexta-feira 10, às 19h) :

 

      Hector Berlioz  “Romeu e Julieta” Sinfonia dramática sobre a tragédia de Shakespeare, op. 17  

 

   Da ligação de Berlioz a esta peça diz a réplica citada das suas memórias : «Se me perguntarem qual das minhas peças prefiro, a minha resposta é que partilho a opinião da maioria dos artistas: prefiro o Adagio (a cena de amor) de Romeu e Julieta». A paixão pela obra começara em 1827, quando assistiu à peça de Shakespeare em Paris em que diz ter sentido ser «atingido por um raio»; «no terceiro acto, praticamente incapaz de respirar, soube que estava perdido». Depois entregou-se à escrita de uma obra que ele próprio reconheceu ser «difícil de realizar», mas que estreou em 1839.

   É esta peça integral que (graças ao YouTube) o leitor pode ouvir aqui pela Radio Filharmonisch Orkest e o Groot Omroepkoor dirigidos por James Gaffigan com Géraldine Chauvet (soprano), Andrew Staples (tenor) e Thomas Oliemans (baixo) em 23 de Março de 2012 em Utrecht (Holanda) :

 

   Pode também conhecer-se o timbre da voz de mezzo-soprano de Marianne Crebassa ouvindo-a noutra peça de Berlioz/Gluck “Orfeu e Euridice” e outra de Rossini de “O Barbeiro de Sevilha” :

 

 

 

   Ainda na música erudita de qualidade, quem se deslocar nesta Quinta-feira, 9 de Maio ao Pequeno Auditório Pergolesi-Project-2do Centro Cultural de Belém, às 21h, poderá assistir a “Pergolesi – In Compagnia d’Amore”, um projecto do pianista francês François Couturier que se reuniu com outros três músicos (Maria Pia de Vito voz, Anja Lechner violoncelo e Michele Rabbia percussão, electrónica) com experiência e trajectos diferenciados para produzir a partir daquele compositor italiano do século XVIII, como diz, «uma música nem de ontem nem de hoje, mas um presságio para o futuro».

   Na ausência ainda de uma gravação, fiquemos com o relato duma crítica : «A música de Pergolesi emerge, reconhecível em crescendo, antes de esvanecer até uma dimensão subtil e superior, como uma súplica elevada acima das meras experiências terrenas. Fragmentos de sons cristalizados expandem-se gradualmente, clarões de notas passam como meteoros. O som de uma voz torna-se mais claro e adquire cor e brilho».

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   Ou com o registo da colaboração de François Couturier com Anja Lechner no Tarkovsky Quartet aqui : http://youtu.be/mDZtwyVgENQ

 

 

 

   Outra forma (simpática, pois os concertos são de entrada livre) de ouvir boa música é frequentar os diversos concertos que alguns Solistas da Orquestra Metropolitana dão em pontos vários da cidade. Assim :

 

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   Na Sociedade Portuguesa de Autores, esta Quinta 9 de Maio, às 18h30 (com repetição na Sexta 10, às 19h00, na Sede da Metropolitana  como Concerto Aberto Antena 2, comentado por André Cunha Leal), os Solistas da Metropolitana Tomás Costa violino, Lígia Vareiro violino, Nuno Soares viola, Hugo Paiva violoncelo e Ester Puig violoncelo interpretarão de Franz Schubert Quinteto de Cordas, D. 956.

 

   No El Corte Inglés, esta Quinta, 9 de Maio, às 19h, num concerto comentado por Alexandre Delgado (com repetição na Sexta 10, às 13h, nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa), os Solistas da Metropolitana  Maria Bykova violinoI, Madalena Rodrigues violino, Joana Tavares viola e Nuno Cardoso violoncelo vão tocar de Dmitri ChostakovichQuarteto de Cordas em Dó menor n.º 8, op. 110 ;

   em seguida outros Solistas OML Virgílio Marcelo violino, Lyza Valdman violino, Paul Wakabayashi viola e Pedro Silva violoncelo irão interpretar de Ludwig van BeethovenQuarteto de Cordas em Ré maior, op. 18/3.

 

solistas da metropolitana vários

   No Salão Nobre do Ministério das Finanças, esta Quinta, 9, às 18h (com repetição na Sexta 10, às 19h00, no Auditório do ISEG), o Trio de Madeiras da OML constituído por Francisco Barbosa flauta, Sérgio Coelho clarinete e Tatiana Martins fagote tocará um programa que compreende :

        Charles KoechlinTrio

        Jacques IbertCinco peças em trio

        Miguel OliveiraCinco Miniaturas (12.º Prémio Composição Lopes-Graça, 2009)

        Sérgio AzevedoSuite campestre (Pelos Campos Fora)

        Antoni Szalowski Trio

 

 

   Também na Quinta-feira, 9 de Maio, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 13h (com repetição na Sexta 10, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa), os Solistas da Metropolitana Ana Margarida Silva violino, Teresa Madeira violoncelo e Ricardo Vicente piano irão tocar de Ludwig van Beethoven Trio com Piano em Ré maior, Op. 70/1, “Fantasma”;

   em seguida, outros Solistas João Andrade violino, Amadeu Resendes viola, João Matos violoncelo e Sofia Simões piano interpretarão de Johannes BrahmsQuarteto com Piano n.º 3, op. 60.

 

 

   Na mesma Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h30 da mesma Quinta-feira, 9 de Maio, há um recital 9%20maggio“Il canto d’Europa” pelo Duo Pianistico Italiano composto por Antonella Vitelli e Luciano Bellini, numa iniciativa do Instituto Italiano de Cultura em Lisboa.

   O Duo Pianistico Italiano nascido em 2008 e já com alguns CDs editados (“Prime Note dal Mondo de L. Bellini”, “Concerto italiano” de 2010 e “Concerto Latino” de 2012), irá interpretar peças de Respighi, Bellini, Busoni, De Freitas Branco, Szymanowski, Debussy, De Falla.

 

 

 

   Igualmente na Quinta-feira, 9 de Maio, há na Casa Museu Dr.Anastácio Gonçalves, às 19h, novo Concerto jose-carlos-araujoAntena 2, em que o cravista José Carlos Araújo retoma o seu Ciclo de Recitais de Cravo para desta vez interpretar de Johann Sebastian Bach, as Suites Inglesas (ca.1718).

   Uma demonstração da mestria no cravo de José Carlos Araújo pode ser ouvida neste trecho do Cravo Bem Temperado de J.S.Bach :

 

   O leitor que tenha ficado com o apetite aguçado pode satisfazê-lo (graças ao YouTube) ouvindo a integral das Suites Inglesas de Bach pelo “mestre” Gustav Leonhardt aquihttp://youtu.be/imGLszN70Eo

 

 

 

fausto

   Indo agora ao teatro, estreia nesta Quinta-feira, 9 de Maio, na Sala Estúdio do Teatro Nacional Dª Maria II, às 21h15, a peça “Fausto”, criada a partir de Fernando Pessoa e Christopher Marlowe, numa dramaturgia/reescrita do texto por Maria Mendes e Francisco Salgado, com encenação de Francisco Salgado e interpretação de Pedro Gil, Pedro Lacerda e Mia Farr.

   O espectáculo permanece até 2 de Junho, representado de Quarta a Sábado às 21h15 e Domingo às 16h15.

   Sobre ele, diz o programa : « “Fausto”, de Fernando Pessoa e “Doutor Fausto”, de Christopher Marlowe, são livremente reconstruídos, manipulados e readaptados neste espectáculo, no qual se procura encenar o tão contemporâneo problema da gratificação imediata e das suas consequências. A possibilidade de obtenção rápida de conhecimento e de prazeres leva Fausto a decidir vender a sua alma ao Diabo. Esta decisão baseia-se tanto na crença de que o futuro é uma entidade distante, como na convicção de que o Inferno pode não existir. Terá Fausto consciência das consequências das suas decisões e optará, ainda assim, por as ignorar? Deve-se a natureza deste contrato às más deliberações de Fausto, ao poder persuasivo de Mefistófeles, ou a um pouco de ambas?».

 

 

   Também no Teatro Taborda (Costa do Castelo, nº 75), estreia no Ciclo Novos Criadores nesta Quinta-feira, 9 de Maio, às 21h30 (permanecendo até Domingo 12), a peça “Appetitus Desiderium” com direcção artística de Adriana Aboim e interpretação e co-criação de Francisco Belard, João Aboim, João Estevens, José Bernardino, Maria Leite e Sara Leite.appetitus desiderium

   A produção é de João Estevens, numa co-produção com o Teatro da Garagem.

   Sobre a peça, diz-se : « Interessa-nos o “caminho do desejo” como momento incerto da procura, como zona liberta de imposições desejáveis, como possibilidade de acção pela necessidade de alcançar o objeto desejado e pelo movimento da persistência gerada no ente que deseja. Descurar o desejo ou deixar de acreditar na capacidade de desejar fecha-nos no limite da possibilidade conhecida, gera a apatia, não nos permite aceder ao não-vivido pela descoberta. O desejo faz questionar resoluções, certezas e aquisições, o que surge como o certo ou errado, o que se impõe como bem ou mal. O desejo torna-nos seres imperfeitos, erráticos, contraditórios e, por isso, humanos».

   Este vídeo-teaser traduz (?) o espírito da representação :

 

 

   Ainda no Teatro Turim (Estrada de Benfica, nº 723 A) estreia a 9 de Maio (Quinta-feira), às 21h30, a peça teatro turimcómica “Imortais por 7 Dias”, com texto e direcção de Paula Luiz e interpretação de Margarida Moreira e Paula Luiz.

   O cenário sonoro é de Carlos Guerreiro e a luz de Henrique Moreira.

   Sinopse : Duas mulheres não se conhecem e encontram-se pela primeira vez… no Além! Um acidente leva-as ao estado de coma. Em 7 dias nos seus Planos da Vida para além da Morte, ambas vão descobrir as múltiplas potencialidades e os diferentes níveis no espaço, para poderem regressar!  Uma última prova no entanto aguarda-as… Será que regressam ?!.

 

 

   Passando à música dita não-erudita, duas sugestões podem ser feitas (além da prestação da cantora Maria João Matos acompanhada à guitarra por José Soares no Onda Jazz às 22h30 no seu estilo perceptível neste registo deficiente http://youtu.be/-NC68lhcyRA cantando o Let’s Fall in Love de Cole Porter ).

 

   Uma, a que ontem já nos referimos, será ir ao Hot Club de Portugal, às 22h30 desta Quinta-feira, 9 de Maio, ouvir o Trio vindo do Luxemburgo composto por Michel Reis piano, Marc Demuth contrabaixo e Paul Wiltgen bateria que vem a Portugal apresentar o seu segundo álbum editado, como o primeiro, pela Laborie Jazz “LUX”.

   O jazz feito por este grupo pode ser ouvido nesta sua performance no “Völklinger Hüttenjazz” de 2011 :

 

 

   Outra, mais ousada, será ir à galeria Zé dos Bois onde, às 22h desta Quinta-feira, 9 de Maio, vem venus_2 - Copya Lisboa a jovem Jazmin Venus Soto, senhora Venus X, expoente da cultura bass, “uma fusão musical – e experiência visual, reforçada pelos suportes de vídeo – que exprime a multiculturalidade do melting pot próprio da cidade de Nova Iorque, apelando à liberdade sexual, à consciência política e, obviamente, à mais pura celebração” (diz a ZDB). E prossegue : «agitadora nata e alquimista pop por convicção, … estamos perante uma das mais entusiasmantes DJ da actualidade; as razões passam essencialmente pela ousadia estética, pela mestria e bom gosto ou ainda pela técnica (por vezes, politicamente errada mas genialmente iluminada) como mistura cada género».

   Dela reproduzimos um dos vídeos que a ZDB divulga :

 

 

  

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui)

 

 

 

 

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