QUEIJO DA SERRA – por Fernando Correia da Silva

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Disse-me um pastor da Serra da Estrela

– Tenho as minhas ovelhas e a minha courela. Junto as minhas ovelhas às dos meus vizinhos e a cada um de nós, durante uma quinzena, cabe o trabalho de guardar a todas pela serra. Das minhas territas tiro algum centeio e milho, umas couves e uns feijões. Quando chega a época das crias recolhemos as ovelhas e passo mais de um mês a mugir e a fazer queijos. Então, uma vez por semana, desço à feira da vila a vender os queijos. Da última vez vendi vinte queijos a 40 escudos cada um. Apurei 800 escudos. Guardei 200 escudos e gastei 600 na compra de uma carrada de milho, porque aquele que tiro da minha courela não chega para as necessidades da família. E assim vou vivendo, dia a dia, mês a mês, ano a ano, com a graça de Deus.

 Disse-me um comerciante de queijos da Serra:

 – Faço a minha vida, não tenho culpa que os outros sejam parvos. Quando chega a época dos queijos vou às feiras da Serra e compro os queijos que quero a 40 escudos cada um. Depois trago-os para Lisboa e vendo-os a merceeiros, meus clientes, a 100 escudos cada um, O negócio é limpo: na Serra pago o que me pedem; em Lisboa pagam-me o que eu peço. O que é preciso é olhinhos para saber viver.

                                                                                                            In 25 CONTOS DE ECONOMIA


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