Novo recorde histórico de desemprego na zona euro: 12,1 % em Março de 2013
François Asselineau
TEXTO DISPONIBILIZADO POR PHILIPPE MURER, MEMBRE DU BUREAU DU FORUM DÉMOCRATIQUE,
PRÉSIDENT DE L’ASSOCIATION MANIFESTE POUR UN DÉBAT SUR LE LIBRE ÉCHANGE
(conclusão)
…
A APRESENTAÇÃO DO EUROSTAT DISSIMULA o ESSENCIAL
Como habitual, o Eurostat publica as estatísticas de desemprego:
na zona euro, por um lado (referida como “ZE17″ pelo Eurostat)
na UE-27 por outro lado (referido como”UE27″ pelo Eurostat),
mas recusa-se a publicar as estatísticas de desemprego em 10 Estados da UE que não fazem parte da zona euro (que eu chamo de “ZHE 10 ″ para retomar o tipo de terminologia de Eurostat, ou seja os dez pais países que estão fora do euro, hors euro.)
Eu já critiquei em Janeiro passado e num texto [pelo blog A Viagem dos Argonautas na altura publicado], em janeiro passado, esta forma de apresentação, o que impede os leitores, incluindo os jornalistas, de poderem fazer uma comparação imediata entre a situação económica e social entre os Estados-Membros que adoptaram o euro e aqueles que mantiveram as suas moedas nacionais.
Tendo em conta a situação e as controvérsias por vezes violentas sobre os benefícios e prejuízos da moeda única europeia, isto seria o menor dos males em vez de estarem a publicar, como o deveriam, conjuntamente os resultados agregados da zona euro e da zona do não euro .
Para entender esta forma incorrecta de publicação, basta-nos apenas por exemplo mostrar o que se esconde por trás desta formulação na versão mais recente do comunicado de Eurostat da 30 de Abril de 2013: “em Março de 2013, 5690 milhões de jovens menores de 25 anos estavam desempregados na UE-27, incluindo 3599 milhões na área do euro. Em relação a Março de 2012, o número de desempregados aumentou 177 000 na UE27 e 184 000 na área do euro.”
Se reflectirmos nisto nem que seja por um só momento, sobre esta apresentação hipócrita significa que o número de desempregados aumentou de 184 000 na área do euro e caiu… de 7.000 em 10 Estados da UE que estão fora da zona euro.
Da mesma forma, se a taxa de desemprego passou durante os últimos 12 meses, de 11,0% para 12,1% na zona euro mas apenas de 10,3% para 10,9% em toda a UE, isto significa
- por um lado, que a média das taxas de desemprego é significativamente mais baixa nos 10 Estados-Membros que estão fora da zona euro em relação à dos Estados que fazem a zona euro a 17 países, portanto.
- por outro lado, e necessariamente, que a taxa de desemprego diminuiu nos 10 Estados que não fazem parte da zona euro.
CONCLUSÃO: A esmagadora responsabilidade do EURO
Esta última observação pode ser visualizada no gráfico abaixo pela comparação das curvas da taxa de desemprego de Janeiro de 2000 a M arço de 2013.
Neste gráfico:
– a evolução nos últimos 12 anos da taxa de desemprego na zona euro está traçada em azul .redesenhado em azul
– a evolução nos últimos 12 anos da taxa de desemprego na UE 27 está traçada a preto;
– A diferença entre as duas curvas permite visualizar a situação do desemprego, escondido pelo Eurostat, em 10 Estados fora da zona euro como se vê :
- Este diferença l estava a jogar a favor da zona euro no seu início: a taxa de desemprego da zona euro era inferior à dos Estados da União Europeia que não fazem parte da zona euro, aqui representada por uma seta a verde. Este diferença atingiu um pico a favor da zona euro, em meados de 2001. Refira-se que foi a época em que o euro estava significativamente depreciado nos mercados cambiais, e que não valia mais de 0,85 dólares.
- A diferença reduziu-se pouco a pouco, depois começou a inverter a posição cambial, a partir de 2003, lá ainda correspondentemente ao aumento do valor do euro face ao dólar. Eu destaquei essa inversão por uma mudança de cor: a seta agora está a vermelho.
- a partir de 2005, a diferença das taxas de desemprego aumentou, de forma permanente, em desfavor da zona euro. O aumento na taxa de desemprego na zona euro desde 2011 já não somente devida à sobrevalorização do euro nos mercados de câmbio, mas deliberadamente às recessivas políticas postas em prática por todos os países da zona euro, a mando do BCE, da UE e do FMI, a fim de “salvar o euro”.
Por outras palavras, a análise precisa e objectiva dos resultados económicos nos últimos 12 anos prova que a responsabilidade do euro no surto enorme de desemprego e do empobrecimento geral do continente da Europa não é uma hipótese, é uma certeza
A responsabilidade dos dirigentes europeístas que se recusam a reconhecer esta realidade e a dela tirarem as consequências é avassaladora e, eventualmente, mais cedo ou mais tarde, acabará por se pagar politicamente.

